Os pais do indiozinho kaingang degolado por um branco na rodoviária de Imbituba, na antevéspera do ano novo, não eram mendigos. Estavam naquela praia vendendo artesanato para melhorar em 2016: “A gente precisava uma geladeira nova e material escolar para a filha mais velha”, conta dona Sônia, a mãe de Vitor, o menino martirizado.

Por Renan Antunes de Oliveira

Publicado originalmente em DCM

No final de outubro de 2015, eu estava internado num hospital em Porto Alegre quando recebi um whatsApp: precisa-se de repórter para viajar para o Mato Grosso do Sul (MS) a fim de investigar crimes no mundo guarani – foram 138 mortes em 2014, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

A mensagem citava os crimes mais recentes: alguém furou a barriga do cacique Elpídio, de Potrero Guasu, em setembro; jagunços mataram o guerreiro Simeão, em agosto, em Marangatu; uma criança índia sumiu durante uma escaramuça com fazendeiros, em junho, na área indígena Kurusu Amba – nesse caso, a denúncia era do Ministério Público Federal (MPF).

Notem: era só índio tomando chumbo.

Por Renan Antunes de Oliveira
Especial para Agência Pública

 


Não existe caso de erro judicial no Brasil igual ao do empresário carioca José Germano Neto, de 65 anos, dono de uma revenda BMW no Rio de Janeiro. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) acaba de absolvê-lo de um crime nunca cometido. Germano foi perseguido pela polícia como narcotraficante por 25 anos. Ele enfrentou seis processos. Puxou cadeia aqui, nos Estados Unidos e na França.

Por Renan Antunes de Oliveira