Sobre o jornalismo na sociedade do consumo

O papel do jornalista é  o de interpretar informações, atribuindo-lhe sentido e precisão na produção de um bem intelectual que dê ao receptor a possibilidade de refletir e de, também, interpretar. É aí que reside a grandeza de um texto, e só então pareceria correto atribuir ao jornalismo o papel de auxiliar na difusão do conhecimento.

Por Tiago Lobo

 


O ato de informar consiste em transmitir dados técnicos sobre determinado fato. Estes dados, tal qual o Lead, não possibilitam percepção de atmosfera, conjuntura emocional e emissão das particularidades de um fato. A absorção da informação calcada na objetividade jornalística esfria as capacidades emocionais e afeta o entendimento do universo particular de uma ocorrência por parte do receptor.

Ser objetivo não é ser pouco preciso. É possível ser objetivo em um texto jornalístico e descrever um acontecimento com precisão e técnicas narrativas literárias que lhe componham as sutilezas que permeiam a história humana

Ora, o jornalismo se nutre da vida e história humana, portanto sua narrativa não deveria desumanizar as personagens das suas tramas de não ficção. O excesso da objetividade aborta a humanidade de um texto.

Então, sendo o ser humano, a vida humana, a matéria prima do jornalismo e de toda narrativa, cabe ao jornalista o papel de extrema relevância de atentar-se para a humanização do seu trabalho.

O verdadeiro
papel do
jornalista é,
e sempre
foi, fazer
pensar.

Ir contra o consumo imediatista é uma solução paliativa para o estabelecimento de uma cultura da coletividade e de parcial igualdade. E sendo o jornalismo, e parte do processo comunicacional humano, uma estrutura de contrapoder, a ele lhe cabe o papel de regular e opor-se a degradação e massificação da mente coletiva da sociedade do espetáculo.

Se o jornalista escreve para seu leitor é por ele, e para ele, que deve se pautar. A intimidade e circulo de confiança gerado pelos jornais de pequenas esferas de abrangência atendem de forma muito mais direta aos interesses coletivos do que a generalização de abraçar o mundo dos grandes veículos. A estes últimos caberia o papel não de formadores de opinião, mas de proponentes da reflexão.

O verdadeiro papel do jornalista é, e sempre foi, fazer pensar.

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