Segurança piorou no Rio Grande do Sul, como diz Rossetto (PT)

Foto: Rodrigo Ziebell/SSP-RS/Divulgação

Em entrevista ao Jornal do Comércio de Porto Alegre, o candidato ao governo do Rio Grande do Sul pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Miguel Rossetto, chamou atenção para o quadro da segurança pública no Estado. Ele comparou os resultados dos três primeiros anos do atual governo (de José Ivo Sartori, MDB, que concorre à reeleição) com os três primeiros de seu antecessor, seu colega de partido, Tarso Genro.

Naira Hofmeister, do Filtro Fact-checking

Além de acusar um aumento de 80% nos roubos, durante a entrevista, Rossetto disse que houve 35% mais assassinatos no Estado sob a atual gestão. Em Porto Alegre, as ocorrências de roubo teriam dobrado volume.

“No Rio Grande do Sul, quando pegamos três anos com três anos, que é um período de avaliação de um governo, acompanhamos um aumento de 80% de assaltos e roubos. Em Porto Alegre, na Região Metropolitana, um aumento de 100%. Acompanhamos 35% de aumento dos assassinatos.”

O Truco nos Estados – projeto de checagem de fatos da Agência Pública, feito no Rio Grande do Sul em parceria com o Filtro Fact-checking – descobriu que os dados oficiais de fato mostram aumento em proporção muito semelhante à indicada pelo candidato, o que confere o status de verdadeira à sua afirmação.

Consultada, a assessoria do candidato confirmou que a fonte de dados era a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, que disponibiliza estatísticas criminais em seu site. Após o contato do Truco, a campanha de Rossetto detalhou que, com os números públicos, seria possível averiguar um aumento de 77% no número de roubos no Estado, de 36% no de homicídios e ainda de 104% nos casos de roubos em Porto Alegre, se comparados os três anos.

De fato, para o indicador de roubo (quando há uso de arma), se somados os três primeiros anos do governo de Tarso Genro (2011-2013) o total de ocorrências registradas foi de 144.487, contra 256.295 entre 2015 e 2017, sob Sartori – o que configura um aumento de 77,38%.

As demais estatísticas mencionadas pelo candidato também são corretas: o total de assassinatos (somados os casos de homicídios dolosos e latrocínio) cresceu 36,03%, e os assaltos em Porto Alegre, que ele havia dito terem dobrado de volume, de fato aumentaram em 104,12%.

O Atlas da Violência, publicação nacional especializada em temas de segurança pública, também aponta crescimento na taxa de homicídios gaúcha, mas com recorte temporal mais amplo, entre 2006 e 2016. Nesta década, o Rio Grande do Sul foi o único estado fora das regiões Norte e Nordeste a apresentar “crescimento gradativo da violência letal”, atingindo uma taxa de 58% para cada 100 mil habitantes. O dado também apresenta alta se forem considerados outros recortes temporais: variou 47,7% entre 2011 e 2016 e cresce 9,2% exclusivamente nos anos 2015 e 2016.

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