Roberto Robaina (PSOL) subestima número de assassinatos no RS

Checamos declarações de Roberto Robaina em entrevista ao Jornal do Comércio (Foto: Divulgação)

Atualmente exercendo o cargo de vereador em Porto Alegre, Roberto Robaina, do PSOL, disputa a eleição ao governo do Rio Grande do Sul pela terceira vez em sua carreira política. Antes, concorreu em 2006, sendo o primeiro nome a representar o partido, então recém criado, no pleito estadual. Voltou à corrida pelo Piratini em 2014. Nas duas ocasiões terminou a disputa em quinto lugar. Em 2010, tentou uma vaga na Assembleia Legislativa, e em 2012, lançou-se à prefeitura de Porto Alegre, não sendo bem sucedido em ambas.

Por Naira Hofmeister e Taís Seibt — Filtro Fact-checking

Formado em História e bancário de profissão, participou da militância estudantil no Colégio Julio de Castilhos, popularmente conhecido como Julinho, e depois integrou a direção do Sindicato dos Bancários. Filiado ao PT durante muitos anos, deixou o partido no início dos anos 2000 para fundar o PSOL, do qual hoje é presidente estadual no Rio Grande do Sul.

Em uma entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, no dia 28 de março (a partir de 1:24:10), Robaina citou números da criminalidade no Estado, mas subestimou os dados.

“Tivemos nos últimos 7 anos, 4 mil assassinatos entre homicídios e latrocínios, desde 2011.”

SubestimadoO candidato disse que eram 4 mil assassinatos entre 2011 e 2017, mas o dado fornecido pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) é quatro vezes maior. Procurada, a assessoria de imprensa de Robaina não indicou a fonte de informação, mas na própria entrevista ele menciona uma reportagem do jornal Zero Hora. A matéria faz referência ao período e ao número citados por Robaina, mas refere-se apenas à cidade de Porto Alegre, não ao Estado como um todo.

Segundo as estatísticas disponíveis no site da SSP, entre 2011 e 2016 foram 13.938 ocorrências contabilizadas entre homicídios dolosos, homicídios dolosos de trânsito e latrocínios. Importante salientar que os números correspondem aos registros de ocorrência e não do número do total de vítimas, que é maior.

A partir de 2017, a SSP alterou sua metodologia e deixou de discriminar a diferença entre homicídio doloso e homicídio doloso de trânsito, disponibilizando apenas um dado geral de homicídio doloso, além do de latrocínio. Neste ano, a soma das ocorrências nas duas modalidades foi de 2.730 – o que resultaria em, pelo menos 16.668 assassinatos desde 2011, abrangendo os sete anos mencionados pelo candidato. Portanto, quatro vezes mais do que o indicado por Robaina.

Veja aqui as checagens dos nove pré-candidatos ao governo do RS feitas no FiltroLab


 

 

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