Restaurante lança comanda sustentável e quer ser copiado

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Um restaurante de Santa Cruz do Sul, no centro do estado, é o embrião de uma experiência socioambiental que busca e incentiva imitadores.

O Dom Restaurante, criado em 2014 pelo empresário Pablo Cardoso, prova que é possível manter um negócio sustentável e gerar impacto com soluções extremamente simples como uma “comanda ecológica”: nada mais do que um pedaço de papel plastificado que é marcado com caneta hidrocor e limpo com álcool para ser, então, reutilizado por mais um dos 100 clientes que o estabelecimento comporta na hora do almoço.

Das 14h às 14h30 o local disponibiliza pratos de comida para pessoas em situação de vulnerabilidade social, que podem entrar, sentar e comer juntos com Pablo e a equipe do Dom Restaurante. Mas a adesão é baixíssima. Cerca de 5 pessoas por semana se valem do benefício.

Além de reduzir o custo da empresa na aquisição de comandas descartáveis desde 2018, que correspondiam a cerca de 2 a 3 mil pedacinhos de papel jogados no lixo a cada duas semanas, o projeto poupa cerca de 348 árvores por ano segundo o empresário. Canudos plásticos também foram banidos, substituídos pelos de papel, e o restaurante participou da articulação que aprovou o projeto de lei nº40, proibindo a comercialização e a utilização de canudos de plástico, exceto os biodegradáveis, no município de Santa Cruz do Sul.

Mais: os alimentos preparados no Dom passaram a ser adquiridos apenas de agricultores familiares e agroindústrias livres de agrotóxicos, indicadas pela Emater, a empresa de assistência técnica e extensão rural do governo do RS. No entanto, ainda há uma pequena parcela dos insumos, como batata frita congelada, que e fornecida pela indústria tradicional.

O restaurante ainda realiza visitas surpresa aos seus fornecedores a cada 15 dias para se certificar de que não há trabalho infantil envolvido entre seus parceiros. Isso acabou gerando algumas receitas tradicionais que são oferecidas por lá.  Já o saldo final no bolso do cliente parece mínimo, R$4,00: o buffet livre passou de R$ 18,90 para R$ 22,90 após a implementação das mudanças.

Pablo Cardoso explica que o maior desafio foi vender a ideia pros clientes que, hoje, já assumem a responsabilidade sobre a bandeira que o estabalecimento fincou na cidade.Os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, previstos para a agenda até 2030, foram incorporados ao modelo de negócios da empresa de Pablo.

Formado em engenharia de produção, com pós-graduação em gerenciamento de recursos humanos pela Universidade de Santa Cruz (UNISC), ele revela que após 10 anos como funcionário da JTI, uma multinacional japonesa do setor do tabaco, viu iniciativas parecidas que o cativaram na suíça e o contraste social do continente africano, especificamente na República do Malawi, na África Oriental. “Vi que com pouco se consegue fazer muito”, afirma.

A empresa não explora os valores que incorpora em campanhas publicitárias para não passar a ideia de que é “apenas uma estratégia de marketing”. Ele admite que há marketing envolvido, mas é categórico ao dizer que seu empreendimento precisa “ter algum sentido”.

“Achei bacana compartilhar para que mais restaurantes possam aderir e evitem o descarte diário de papel”, finaliza Pablo, que demonstra que é possível lançar mão de soluções simples para ajudar a mitigar problemas bastante complexos.

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