#PainelARI: checamos dados de Rossetto sobre desemprego e educação na juventude

Entrevista de Miguel Rossetto (PT) no Painel ARI atraiu público (Foto: Naira Hofmeister)

O candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, Miguel Rossetto, apresentou dados corretos sobre mercado de trabalho e frequência à escola entre jovens no Rio Grande do Sul durante o Painel Eleitoral da Associação Rio-Grandense de Imprensa (ARI), no dia 9 de agosto.

Naira Hofmeister, do Filtro Fact-checking

Além de cravar o número total de desempregados no estado, Rossetto também acertou ao dizer que o problema atinge mais as menores faixas etárias. O petista ainda usou informações verdadeiras quando disse que a maioria dos jovens estuda em escolas públicas. Veja nossa checagem.

“São 510 mil desempregados [no Rio Grande do Sul]…”

A taxa de desemprego no Brasil é medida trimestralmente pela Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado mais recente, referente ao primeiro trimestre de 2018 (jan-fev-mar), aponta 510 mil pessoas desocupadas no Rio Grande do Sul – equivalente a 8,5% da população economicamente ativa, ou seja, aquelas que têm condições de trabalhar. O número já foi maior: no primeiro trimestre de 2017, eram 560 mil gaúchos sem ocupação.

“… e [os desempregados gaúchos são], na sua maioria jovens”

A mesma pesquisa do IBGE segmenta o desemprego por faixa etária. Se entre o total da população gaúcha em condições de trabalhar a taxa de desemprego fica em 8,5%, esse percentual é muito mais alto nos dois intervalos etários menores utilizados pelo instituto. Entre jovens de 14 a 17 anos, o desemprego é calculado em 33,6%. Já na faixa entre os 18 e os 24 anos, está em 19,6%. Ambos os segmentos tiveram uma virada ascendente a partir do início de 2015. Os percentuais para pessoas entre 25 e 39 anos, 40 a 59 anos e 60 anos ou mais são todos inferiores à média do desemprego entre a população geral.

 

As taxas do Rio Grande do Sul são, contudo, melhores do que as nacionais. O Brasil contabilizou taxa de desemprego de 13,1% no primeiro trimestre de 2018. Entre jovens de 14 a 17 anos, a desocupação chega a 43,6%, enquanto que na faixa etária imediatamente acima, entre 18 e 24 anos, esse dado é de 28,1%.

 

“85% da juventude gaúcha está na rede pública de educação, municipal ou estadual”

Consultada a respeito da afirmação do candidato, a assessoria de imprensa de Miguel Rossetto indicou como fonte a página da Secretaria Estadual de Educação, onde poderia ser consultado o Censo Escolar de 2017. Os links, entretanto, estão quebrados. A equipe do Filtro Fact-Checking consultou os dados do mesmo estudo disponibilizados no site QEdu, uma startup da Fundação Lemann que reúne acervo de dados sobre educação. Segundo os números disponíveis na plataforma, do total de matrículas realizadas em 2017 no Rio Grande do Sul (2,3 milhões), 83,95% (2 milhões) foram na rede pública e apenas 16,05% (383 mil) na rede privada de ensino. Ou seja, de fato a maioria absoluta de matrículas em escolas públicas e o percentual é muito próximo do indicado pelo candidato.

Fonte: Censo Escolar 2017

Como o candidato se referiu à “juventude” de forma genérica, é possível afirmar, também pelos dados do Censo Escolar 2017, que a distorção idade-série é de 12%, ou seja, a cada 100 alunos, 12 estavam com atraso escolar em dois anos ou mais – considerando o total de escolas do Rio Grande do Sul. Entre as escolas públicas, o índice médio é maior que entre as escolas privadas, mas ele vem caindo desde 2011 e atualmente está em 14%. É possível concluir, portanto, que cerca de 85% das matrículas segue a relação esperada idade-série, mesmo considerando apenas o universo das escolas públicas gaúchas.

Relacionados