#PainelARI: Bandeira (Novo) descontextualiza dado da segurança e erra em finanças, mas acerta na saúde

Candidato foi entrevistado por Alexandre Elmi e João Batista Santafé Aguiar (Foto: Naira Hofmeister)

Mateus Bandeira (Novo) afirmou que RS nunca cresceu 5% ao ano, mas índice foi atingido nos anos 70. O candidato também derrapou ao apontar a capacidade de treinamento da academia de polícia, entretanto, está correto ao afirmar que pequenos hospitais são insustentáveis financeiramente.

Naira Hofmeister, Bruno Moraes e Taís Seibt, do Filtro Fact-Checking

O candidato foi sabatinado pelos jornalistas Alexandre Elmi e João Batista Santafé Aguiar no dia 31 de agosto e encerrou a série de sabatinas promovidas pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI) com os postulantes ao Palácio Piratini. Checamos três afirmações de Bandeira durante o evento:

“É impossível recuperar o efetivo da Brigada Militar de uma vez só porque as academias de polícia tem limite para recrutar e treinar policiais, de 1100 por ano”

Segundo a assessoria de imprensa da Brigada Militar, a capacidade para receber e treinar novos recrutas nas cinco academias de polícia da corporação é mesmo de 1170. Entretanto, quando há demanda por mais vagas, a BM ativa os Polos Regionais de Ensino, presentes nos 19 grandes comandos da corporação que, juntos, podem receber outros 1.300 alunos, somando então 2470 vagas para novos recrutas, simultaneamente.

Diante desse dado, o Filtro Fact-Checking considerou a afirmação de Bandeira sem contexto, pois embora esse seja o limite de treinamento das academias de polícia no estado, o candidato desconsiderou a existência dos Polos Regionais de Ensino, que podem cumprir o mesmo papel quando requisitados pelo comando da corporação.

“Hospitais com um número pequeno de leitos, abaixo de 30 leitos não são auto-sustentáveis”

Os hospitais de pequeno porte no estado, de fato, têm enfrentado dificuldades para manter os serviços pelo SUS. Ainda, a política do governo federal nos últimos anos têm priorizado transformar hospitais com cinco a 30 leitos em Pronto Atendimentos de Urgências (PADUs) no intuito de “conferir maior resolutividade” às ações do SUS.

Um levantamento divulgado em julho deste ano, com informações apuradas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde, mostra que, nos últimos oito anos, mais de 34 mil leitos de internação foram fechados na rede pública de saúde. Em nota publicada pelo site G1 quando da divulgação desse levantamento, o Ministério da Saúde indicou que o fechamento dos leitos está ligada à política nacional de hospitais de pequeno porte.

Em junho deste ano, representantes da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs) se reuniram para tratar das dificuldades enfrentadas para custear e prestar atendimento à população nos 82 hospitais com menos de 30 leitos do estado. As lideranças questionam a redesignação desses hospitais para unidades de Pronto Atendimento de Urgência (PADUs), conforme a portaria 64/2018. A medida poderia fechar 1,6 mil leitos do SUS no RS caso todos os HPPs fossem redesignados como PADUs. De acordo com o DataSUS, o RS tem 20,7 mil leitos de internação do SUS atualmente.

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“O Rio Grande do Sul nunca cresceu 5% ao ano, em média, num período de quatro anos”

Bandeira errou ao dizer que o PIB gaúcho nunca cresceu nesse patamar por quatro anos consecutivos ou mais. A série histórica do PIB gaúcho, sistematizada pela extinta Fundação de Economia e Estatística até 2017 com dados de 1947 a 2016, mostra que a última vez que o Rio Grande do Sul cresceu 5% ao ano por quatro anos consecutivos (ou mais) foi no final dos anos 1970. O histórico recente é de crescimento baixo – e até de variação negativa. Economistas concordam que atualmente é improvável que o RS cresça nesse patamar, comparável somente ao de países como a China na atualidade.

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