O prefeito do além

Ele trocou a farda pelo uniforme de médico espírita, incorporando um certo doutor Suzzenn, espanhol morto em 1814 – e montou um terreiro mediúnico onde já recebeu 500 mil pessoas. Acabou preso, condenado pela Justiça por exercício ilegal da profissão. Para livrar-se da pena buscou a imunidade na política: foi vereador, deputado estadual e prefeito.

Por Renan Antunes de Oliveira

Publicado originalmente em Jornal JÁ

 


guri pobre, franzino e mal alfabetizado se apresentou pro serviço obrigatório no quartel do 13º GAC, o poderoso Grupo de Artilharia de Campanha, em Cachoeira do Sul. Sua ambição era grande: manejar os canhões de 155 milímetros da guarnição, os maiores da América Latina.

“Mas bah, tchê, ouvi dizer que tu é bruxo…”, começa um oficial, disposto a dispensá-lo. O recruta Marlon Arator explica que é apenas médium, como se diz da pessoa que encarna o espírito de gente morta. Garante que isso não prejudicará o Exército e implora pra ser alistado.

A cena aconteceu há quase 10 anos. Aquele soldado ambicioso passou dois anos na tropa, lá dentro fez o supletivo, chegou a cabo-artilheiro. Sonho realizado, ele trocou a farda pelo uniforme de médico espírita, incorporando um certo doutor Suzzenn, espanhol morto em 1814 – e montou um terreiro mediúnico onde já recebeu 500 mil pessoas.

O Marlon “médico” acabou preso, condenado pela Justiça por exercício ilegal da profissão. Para livrar-se da pena buscou a imunidade na política: foi vereador com 23, deputado estadual com 26, já é tolerado pelo sistema. Aos 29, é o prefeito de Cachoeira. Prepara-se para ser senador aos 30, nas eleições do ano que vem.

Ele admite que boa parte de suas conquistas terrenas se deve aos espíritos. O Marlon médium elegeu-se deputado estadual pelo PFL fazendo votos em 303 dos 496 municípios gaúchos – muito além da cidade onde atuava, coisa que só conseguiu com a força do nome nos centros espíritas.

Ele fez por onde ajudando a si mesmo. Está rico. É um monte de coisas ao mesmo tempo. Exímio carateca, apicultor, tesoureiro do PFL regional, presidente nacional da juventude pefelista, criador de ovelhas, acadêmico de Direito, baterista esforçado, compositor de música gauchesca e romântica, cozinheiro aplicado, pai solteiro e dedicado, Don Juan assumido, escritor, mestre maçom, despachante jurídico e minerador de cromita – cada atividade dele renderia um opúsculo.

Como político ele não é um sujeito carismático. Seu traço mais marcante é a extrema afabilidade. Trata todo mundo com muita cordialidade, dá atenção ao interlocutor. Não tem ataques de fúria no gabinete, como acontece com alguns poderosos, nem quando está no terreiro, onde raramente levanta a voz. É um beijoqueiro. Aos pedidos extravagantes ou impossíveis, responde com “vamos ver”, passando a sensação de que pode resolver todos os problemas do mundo.

A última dele? Quer dinamizar a Capital Nacional do Arroz criando uma atração turística única na Terra: o Museu do Além, dedicado aos espíritos do outro mundo – e ao de Marlon Arator.

Encarnando o doutor Suzzenn

O centro espírita onde Marlon Arator atende milhares de pessoas não tem nome. Nem placas indicando sua localização – ele adota o perfil discreto para evitar espalhar ainda mais a imagem popular de curandeirismo. Mas, na cidade onde ele é prefeito, todo mundo sabe onde fica o centro.
O terreiro de curas está abrigado num decadente galpão industrial de uma fábrica de plásticos falida, na Volta da Charqueada, bairro na entrada de Cachoeira, cidade a 200 km a oeste de Porto Alegre, com 90 mil habitantes.

A atração é Marlon, um dos tops do espiritismo nacional, uma celebridade no circuito do além. Amigos e colaboradores gostam de compará-lo a Chico Xavier, o maior dos médiuns brasileiros, já morto.

Como médium ele encarna os espíritos do médico espanhol Suzzenn, e, com menos freqüência, do alemão Richard, este desencarnado em 1844. Os três atendem cerca de 5 mil pessoas por mês, de graça e com hora marcada: sábado das 8h30 às 12h, intervalo para o almoço, das 13h até o último paciente com ficha, às vezes noite adentro.

Marlon diz que sua capacidade mediúnica de curar pessoas não é um dom, mas “uma dívida” dos espíritos: “São eles que ligam do além para cá, eu nunca posso chamá-los”, explicou o prefeito, durante entrevista de duas horas e meia em seu gabinete, iniciada às 17 horas da sexta-feira 24 de junho.

A primeira vez em que os espíritos o tomaram ele ainda era criança: “Eu tinha uns três ou quatro anos”, lembra. “Eu avisei que meu tio tinha morrido antes que alguém na casa soubesse”.

O que parecia um dom virou tormento. A capacidade mediúnica dele foi sufocada pelos pais: “Eles eram muito católicos, não aceitavam aquilo, tinham medo, vergonha, impediram meu desenvolvimento”, diz, com alguma mágoa.

Aos 16 anos ele deixou a casa dos pais, agregados numa fazenda no distrito de Piquiri. Foi para Cachoeira, pro Exército, foi vendedor de vinhos e couros para se sustentar – bebeu nestas fontes de renda até abrir o terreiro.

Está tratando gente desde 1995, quando ainda estava no Exército. Contam que ele começou avisando ao comandante do 13º GAC “vá embora porque sua mulher está passando mal”. O oficial duvidou, mas quando chegou em casa encontrou a esposa enfartada.

Em 1999, quando a fama dele já começava a se espalhar pela campanha e chegava à Serra Gaúcha, o Conselho Regional de Medicina o processou por prática ilegal da profissão. Marlon foi condenado à cadeia e multa de R$ 18 mil. Preso na delegacia local por alguns dias, não chegou a ir para o presídio, salvo “por uma alma caridosa e agradecida”, por graças alcançadas, que pagou a multa por ele. Não se sabe o nome do doador.

Na cadeia, nova manifestação de seu poder. Um preso passou mal, sangrava muito. Chamaram médico, mas o homem nada conseguiu fazer para estancar o sangramento. Aí os carcereiros apelaram para Marlon, ele deu um stop na sangueira.

Naqueles dias de cárcere, cerca de 3 mil pessoas fizeram vigília por ele fora da delegacia. Ele saiu dela candidato a vereador pelo PFL: “Não sou político. Tanto que concorri pelo primeiro partido a me convidar. Hoje não preciso da Câmara de Vereadores (onde não tem bancada), acho que ela só é necessária em cidade se o prefeito rouba”.

Ele afirma que entrou na política “como uma maneira de conseguir imunidade contra as perseguições”. Vereador eleito, quase não assumiu por causa da condenação – mas os desembargadores do TRE acharam lá uma brecha na lei, ele manteve o mandato.

Imunidade definitiva ele conseguiu em 2002, quando foi eleito deputado estadual, o único do partido naquela eleição. Virou o interlocutor gaúcho de gente como o senador catarinense Jorge Bornhausen, passando a dar pitacos na política de gente grande e nos males terrenos.

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Um museu para os espíritos

O projeto de construir um museu para os espíritos é todinho da cabeça de Marlon. O prefeito procurou na internet. Não achando nada parecido, gostou da originalidade da própria idéia e foi em frente.

Ele deu o primeiro passo em março, nomeando para a função de museólogo municipal um ex-sócio, o representante comercial João Carlos Schneider Costa – os dois exploraram o apiário Megapólen, na década de 90.

João Carlos está empolgado com a obra: “O objetivo é nobre, vamos dar um novo tipo de consciência à população. Hoje as pessoas usam só a parte subrepitiliana do pensamento, vamos conseguir que elas usem o neocórtex”, diz.

O repórter não entende nada. Aí o diretor do museu explica com simplicidade que “estamos somatizando o acervo, ele terá coisas fora do físico”.

Ainda não dá para entender. Ele desiste de explicar: “Teremos um setor para UFOs”, exulta.

Costa não tem experiência prévia no ramo. Sente-se qualificado porque gosta do xamanismo – coisa de pajés guatemaltecos. Diz que “a obra vai ser uma coisa abrangente”. Que buscou viver “várias experiências” para se capacitar ao cargo. A última delas no mês passado, quando foi a um encontro meio secreto na Igreja de São Miguel “com um daimista do Acre, para tomar aquela bebida do Santo Daime”.

João Carlos acredita nos poderes mediúnicos do prefeito Marlon. Disse que notou isso “logo que o conheci, ainda no primeiro terreiro”. Na época, ele foi um assessor do homem, ajudando a organizar as filas de pacientes.

A iniciativa do prefeito pegou a massa de surpresa. Já é piada na cidade, mas empresários sérios enxergam algo bom na iniciativa. Comparável àquela da cidade de Roswell, nos Estados Unidos, um lugar perdido no deserto cujo marketing é todo baseado na suposta presença de ETs.

A sede do Museu do Além será no antigo engenho de arroz Roesch. É um prédio imponente que ocupa vários quarteirões no Centro, dado à cidade como pagamento de tributos depois que o negócio quebrou.

A outra iniciativa notável de Marlon já foi abortada: ele ensaiou colocar portões na cidade, para impedir a fuga de assaltantes. Desistiu da idéia depois que as estatísticas mostraram apenas dois assaltos a banco em 20 anos.

Um dia no pavilhão da encarnação

Marlon sobe num banquinho e fala para 500 pessoas. Veste um paletó escuro sobre a roupa branca de médico. Mãos no bolso, nenhum gesto teatral, voz sempre no mesmo tom. Não promete curas, nem pede dinheiro.

A platéia é de gente séria, atenta – e encapotada, por causa do frio de junho. Na primeira fila, senhoras do interior, de rosário na mão, e gente em cadeira de rodas. Nota-se muitas bengalas, muletas, mulheres com crianças de colo. Algumas pessoas choram, revelando dores à espera de alívio.

Aos que estão doentes Marlon ensina que “a cura depende de mudança”. Aí o papo engrena: “Quer mudar? Deixe a vida comum!”

Ele diz à  multidão que “o problema é o caminho da futilidade”. Cada um que está lá dentro é especial porque “tu não nasceste para ser mais um, mas sim para crescer” – o povão nem pisca.

Maior pecador

Um grupo de auxiliares se encarrega de manter o lugar silencioso para o papo. Marlon fala sozinho. Bate de leve nos que são “comuns”: “Estes vão seguir na trilha da evolução” – o que há de errado nisso? Aí ele aconselha o bom conselho: “Deixe a vida comum e chame para ti coisas superiores. Se tu quiseres o sucesso, te associa ao lado de coisas grandes”.

O médium admite que não pode “dar lição de moral, talvez eu seja o maior pecador” (do galpão lotado). Ele sai do campo moral e entra no físico: ensina que o organismo é uma engrenagem. Recomenda que as pessoas façam “xixi e cocô na hora certa”, exaltando a importância das funções fisiológicas. O aviso é dado várias vezes durante a palestra.

Uma pitada de filosofia própria: “Bem e mal somos nós que criamos”. Às vezes, ele divaga para o terreno das “dicotomias”. Uma delas ? “Compro comida, levo para casa, é bom para mim, mas ruim para os outros, isto é dicotomia”.

Um resumo do discurso marloniano: “Deus está acima de todos nós”, reconhece.

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Hora da encarnação

No fim do papo, Marlon se recolhe para uma saleta com aquele time de auxiliares. Tira o paletó e exibe o jaleco do doutor Suzzenn. A turma ora por ele. É seu momento de maior fragilidade – a hora da encarnação.

O homem treme, baba um pouco, assume um ar sonado e pronto: em segundos é tomado por um espírito. Depois, ele explicou como se sente naquelas horas: “Meu metabolismo diminui a freqüência, chego ao estado delta. O espírito controla meu corpo pela atividade elétrica dos átomos do monada, somada com a atividade elétrica da glândula pineal”.

O resultado é “uma preguiça tamanha e tanto sono que não vejo mais nada. Meu metabolismo se reduz das 9 às 13, porque o espírito não desincorpora para que eu vá ao banheiro” – reforçando a tese de ir ao banheiro na hora certa.

Os assessores conduzem Marlon-Suzzenn para o consultório no fundo do galpão. Ele atende numa mesa simples, com dois retratos de Jesus ao fundo, o da Virgem ao lado. Tem vaso com flores de plástico, uma bonequinha e um calendário da Gatorade compondo o cenário. Uma fila se forma e as pessoas começam a lhe pedir socorro.

Sem anestesia

O médium não faz nada de extraordinário quando está encarnado pelo espírito do médico morto. A voz de Marlon continua a mesma, seus gestos são só um pouco mais lentos – os assessores já conhecem as manhas e interpretam suas falas.

O atendimento é de um paciente por minuto. Ele toma o pulso, pergunta qual o mal, anota um horário e data qualquer num canhoto verde. Isto significa que a pessoa vai ser operada pelo espírito de Suzzen no dia e hora marcados.

Muita gente insiste em levar exames médicos, raio-x, coisas pras quais ele não dá bola. O paciente não precisa contar todo caso – supostamente porque Suzzenn já intuiu tudo o que era preciso.

Em alguns casos Marlon-Suzzen operam o paciente ali mesmo, sem anestesia, nem antissépticos. Dia 27, uma senhora gorda tinha um problema qualquer, resolvido com um talho de quatro centímetros na mão direita.

A operada foi posta numa maca no meio da multidão. O sangue ficou pingando no chão. A paciente não deu um pio. Dormiu alguns minutos, foi despertada pelos assistentes, recebeu um curativo e saiu satisfeita.

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Gente em transe

Ele já perdeu a conta das operações. Parou de fazê-las por causa das pressões do Conselho Regional de Medicina. Em momentos como o da senhora gorda o galpão assume ares de uma enfermaria improvisada do SUS. As pessoas deitam em camas, macas e até corredores, depois de tocadas por Marlon.

O salão mediúnico tem uma grande urna verde para as pessoas depositarem pedidos de curas. Dona Gemela Jonaelka e seu Alsino Speroto não puderam ir, mandaram bilhetes através de amigos – mas Suzzenn avisa que não gosta de tratar pessoas que não buscam a cura pessoalmente. O repórter entra na fila, entre dona Gemma, com um pé quebrado, e Diogo, um garoto aparentando muita saúde.

O médium toma o pulso do repórter: “Faça um check up para problemas reumáticos” – diagnóstico novo, até então fora de minha ficha médica. Marca uma cirurgia astral para segunda-feira. Na saída, um assessor surge e sussurra: “Nada de carne vermelha, nem bebidas. Depois da operação, evite sexo por três dias”.

Não ao sexo

O caso mais sério do dia é o de Mateus Rosa Barros, 13 anos, adiantado câncer linfático, precisando transplante.

O caso é grave. Mas Mateus não parece preocupado, acha que melhorou – é a sua segunda consulta com Marlon. Um assessor lhe dá a recomendação padrão: “Nada de carne vermelha, nem vinho, nem sexo”…

Na sessão da manhã do dia 27 estavam também a mamãe Luciana, 29 anos, com o menino Artur, 3 meses. Esperando duas horas na fila. Quem tá dodói ? É o guri. Caso grave? “Alergia ao frio” – nada que um bom cobertor não resolva.

O espírito desencarna perto do meio-dia, permitindo que Marlon vá almoçar. Ele reincorpora a uma da tarde. O médium jura que já tentou mudar a rotina, sem sucesso: “Não posso contrariar os espíritos”.

Menino pobre, médium rico

Os críticos do prefeito Marlon dizem que o homem enriqueceu com o centro espírita, lembrando que ele chegou pobre a Cachoeira, em 1994.

O médium tem uma fazenda de 200 hectares, com 400 ovelhas, avaliada em R$ 1,5 milhão. Construiu uma casa confortável na cidade, onde vive com os pais. E circula numa camionete turbinada que vale R$ 90 mil. Sua única jóia é um brinco de brilhante na orelha esquerda.

Ao contrário de políticos que dizem ter menos do que têm, Marlon parece ter menos do que diz. Semanas atrás ele anunciou ao local Jornal do Povo que é “dono do direito de lavra de uma riquíssima jazida de cromita”, recém descoberta em suas terras e já “avaliada em 10 milhões de dólares”.

Ele faz grandes planos: “Vou explorar a jazida com uma empresa estrangeira”, deixando escapar que foi “um geólogo americano” quem fez a tal avaliação.

A jazida dele vale no máximo R$ 20 mil, segundo técnicos do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), ouvidos em Porto Alegre. O prefeito sequer tem o direto de lavra, só o de pesquisar. E pesquisar calcáreo.

A descoberta de uma jazida de cromita (para fazer aço inox ) por acaso, no meio do calcáreo, não seria suficiente para saber se ela pode ser explorada. Um estudo geológico levaria três anos. No estágio atual, seria como um garimpeiro encontrar um diamante na calçada e começar a esburacar a rua.

O anúncio pode ser entendido como uma tentativa de valorizar as terras e atrair investidores – antes que acabe em CPI é bom avisar que a lei impede a participação de uma autoridade em mineração.

Crise faz incorporar político

A primeira frase da entrevista do gabinete do prefeito é “não sou político”. Ele resmunga que tem dias em que politicar até lhe “dá desânimo”.

Difícil acreditar, de tanto que ele gosta do assunto. Parece que “incorpora” nele um dos fundadores do PFL, o ex-vice-presidente Aureliano Chaves: “Foi por causa dele que eu entrei para o liberalismo”.
E olhe as credenciais dele na política: vereador, deputado estadual, prefeito, vice do diretório gaúcho, presidente da juventude, tesoureiro do diretório nacional.

Marlon foi o único deputado eleito pelo PFL à Assembléia gaúcha em 2002. Ele se refestela na cadeira e conta com evidente satisfação as costuras que fez com o prefeito de Pelotas, Bernardo de Souza, e o de Porto Alegre, José Fogaça, para aumentar a bancada para três, sem votos.

Sem que ninguém lhe pergunte, oferece uma análise da crise desatada por Bob Jefferson: “Quer saber um segredinho? Dias atrás, no meio da crise, ouvi no rádio a leitura da carta de um militar da FAB que faz temer um certo movimento das Forças Armadas”.

Faz uma advertência: “Por muito menos do que está acontecendo agora, o Rio Grande fez a Revolução Farroupilha. Por muito menos caíram os presidentes do Equador e da Bolívia”.

De repente ele tem uma visão: “Se eu fosse o presidente do PFL iria levar uma mensagem a Lula. O presidente não é corrupto, mas está cercado por maus assessores. Diria pra ele que é hora de humildade”.

Política e mediunidade? “Não misturo as coisas. No meu centro espírita não tem propaganda de candidaturas” – verdade, pelo menos fora do calendário eleitoral.

Dicas de Nolram Rotara para Marlon Arator

Ele escreveu “Flamígera”, assinando como “Nolram Rotara”, seu nome às avessas. A obra contém tudo o que diz nas palestras. Na página 103: “Está errado relacionar a morte com o tombamento definitivo do corpo físico”.

Falando, Marlon parece bem concatenado. Eis uma coleção de frases soltas, tiradas de sua entrevista:

No início eu achei que a mediunidade era coisa da minha imaginação. Mas notei que meu organismo sente e decodifica sinais de voz. A voz do espírito é diferente da voz da imaginação.

O que me impulsiona é crer em Deus, por isso não cobro nada. Se fosse coisa da minha cabeça, cobrava 100 de cada um.

Os espíritos que encarnam em mim não estão nem aí se as pessoas não acreditarem neles. Quem quiser pensar que é maluquice, pode pensar.
O trabalho espiritual não sou eu que faço – ele é feito através de mim, com delicadeza, transparência e dedicação.

A política não fazia parte dos meus planos. Eu tinha aversão. Foi bom ser deputado para pararem de me perseguir, para ser respeitado, agora o médium em mim pode fazer muita coisa boa.

O PIB de Cachoeira? Não sei. Nosso orçamento é de R$ 50 milhões e está todo comprometido.

Me dou bem com o bispo da cidade. Os religiosos me encaram como um expurgo, como um trator. Se o Brasil não fosse religioso, o presidente Lula já teria caído. Onde há religiosidade, há tolerância.

O sucesso tem a ver com a evolução e com a capacidade das pessoas. Hipócritas são os que pensam que não podemos usar a espiritualidade para nada, significa fazer um ostracismo da cultura, um assassinato do conhecimento.

O que seria do mundo se Buda fosse um grande investidor?  Ele daria certo em qualquer circunstância.

Tu seguiste o viés normal?

Não vais aproveitar com intensidade o teu conhecimento.

Não me acho um homem fiel. Não escondo de ninguém. A sinceridade precede a fidelidade.

O amor não pode ter a cultura do enclausuramento. Por isso não boto aliança no dedo. Tenho namorada, mas desejo outras onde elas estiverem. Uma vez por semana sou o melhor pai do mundo (para seu filho de cinco anos).

Chimarrão quente esfola e queima a mucosa do estômago.

Sofro de gastrite e me trato tomando Omeprazol.

Quero ser venerável (o último nível da maçonaria).

Faço frango ao molho de pêssego, costeleta de porco com champagne e espinhaço de ovelha ao molho de aspargo.

Receita para o sucesso que parece hipócrita:

1 – saber dividir inteligência, cultura e sabedoria

2 – ter conhecimento

3 – ter coragem de aplicar o conhecimento

A sorte não está num lugar estático.

ATUALIZAÇÃO EM JANEIRO DE 2009: Marlon Arator perdeu a reeleição à prefeitura e está sem mandato parlamentar. Continua em Cachoeira, atendendo em seu terreiro mediúnico.

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