Mulheres na política e alta no desemprego: checamos dados de Abigail Pereira (PCdoB)

Única mulher entre os pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, a caxiense Abigail Pereira, 57 anos, entra na disputa pelo PCdoB. “Biga”, como é conhecida entre os companheiros de partido e movimentos sindicais, é formada em Pedagogia e é servidora pública em Caxias do Sul.

Por Danillo Lima, Júlia Provenzi e Yuri Correa*

Na política, seu cargo de maior prestígio foi como secretária estadual de Turismo no governo Tarso Genro. Sua primeira candidatura foi a vereadora, em Caxias do Sul, em 2004, mas não se elegeu. Em 2008 apareceu como vice-prefeita na chapa de Pepe Vargas, mas a dupla foi derrotada pela composição de José Ivo Sartori, atual governador do Rio Grande do Sul. Em 2010, Abigail concorreu ao Senado.

Desde que foi anunciada como pré-candidata a governadora, no final de 2017, a comunista têm dado ênfase aos direitos das mulheres e dos trabalhadores em seus discursos e entrevistas. Checamos declarações da pré-candidata em entrevista para a Rádio 96 FM (a partir dos 47min), de Uruguaiana, concedida no dia 3 de abril de 2018, e de um vídeo publicado em seu canal no Facebook pelo Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio.

“Estamos [as mulheres] em toda a parte, somos a maioria nas universidades e estamos em todas as profissões, mas estamos sub-representadas nos espaços de poder, seja Judiciário, Legislativo ou Executivo. De 172 países pesquisados, o Brasil hoje ocupa a posição 161. É baixíssima nossa representatividade.”

Verdadeiro

A pré-candidata não revelou a fonte dos dados citados na declaração para a 96 FM de Uruguaiana, mas uma busca na internet mostra que em março, o Projeto Mulheres Inspiradoras (PMI) se tornou notícia ao divulgar o Ranking Nacional de Presença Feminina no Poder Executivo. Neste estudo, o Brasil consta na posição 161, mas ele considera apenas mulheres na chefia de poderes executivos no mundo. A tabela também considera 186 e não 172 países, como afirmou Abigail. O projeto Mulheres Inspiradoras é dirigido por Marlene Campos, que foi candidata ao Senado pelo PTB em 2014.

Uma das fontes utilizadas pelo Projeto Mulheres Inspiradoras é a ONU, cujo banco de dados possui também um levantamento mundial sobre a presença de mulheres em parlamentos. O dado mais recente é de 2015, comparando resultados de 189 países, e o Brasil ficou na posição 133.

O dado citado por Abigail, portanto, é verdadeiro no que tange à presença de mulheres no comando do Poder Executivo, mas não reflete a participação feminina no Legislativo e no Judiciário. Contudo, outros levantamentos mostram que a tendência geral indicada pela pré-candidata está correta: o Brasil está mal posicionado nos rankings de representatividade em comparação com outros países e as mulheres brasileiras, mesmo sendo maioria, não são representadas na mesma proporção.

Estatísticas eleitorais de 2016 divulgadas pelo TSE, por exemplo, mostram que 52% dos eleitores são mulheres, mas elas correspondem a apenas 32% dos candidatos a prefeito, vice e vereador – e somente 11,5% do total de prefeitos eleitos em 2016, número que baixou em relação a 2012. O Censo do Judiciário, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça em 2013, mostra que há um aumento no número de mulheres que ingressaram na magistratura nos últimos anos: entre os magistrados ingressantes entre 1955 e 1981, as mulheres eram 21,4%. Nos anos de 2012 e 2013, último ano do levantamento, o percentual de mulheres que ingressou na magistratura foi de 35,9%. Ainda assim, os homens são ampla maioria.

“A reforma trabalhista não gera mais empregos, ao contrário: o desemprego tem aumentado!”

Impossível provar

No vídeo publicado em seu canal oficial no Facebook por ocasião do Dia do Trabalhador, a pré-candidata pelo PCdoB deu ênfase à reforma trabalhista promovida pelo governo de Michel Temer. A Medida Provisória 808/2017, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), foi sancionada pelo presidente em 13 de julho de 2017.

Segundo o IBGE, a taxa de desocupação do trimestre de janeiro a março de 2017 (antes da reforma trabalhista) era de 13,7%. Na comparação com o mesmo período de 2018 (após a mudança), portanto, o desemprego caiu para 13,1%, como mostra o gráfico da Agência IBGE.

No entanto, não é possível estabelecer uma relação direta entre a reforma trabalhista e a leve queda na taxa de desocupação, pois as mudanças são muito recentes e ainda não há uma série histórica suficiente para fazer essa comparação. Com os dados disponíveis até o momento, portanto, é impossível provar se a reforma reduz ou não o desemprego.

“E esse desemprego é maior entre as mulheres e os jovens, negros e negras.”

As mulheres, os jovens e os negros, de fato, são mais afetadas pelo desemprego, como afirma a comunista. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados em maio pelo IBGE, mostram que 50,9% dos desempregados eram mulheres. Negros e pardos somam 59,1% dos desempregados.

Veja aqui as checagens dos nove pré-candidatos ao governo do RS feitas no FiltroLab


 

* Conteúdo gerado durante curso de extensão “Laboratório de Fact-checking”, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

 

 

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