Exclusivo: desvios no IDEPI ultrapassam os R$ 13 milhões

 Quantia pode ser maior, visto que essa cifra diz respeito somente à segunda parte das tomadas de contas especiais...

Por Rômulo Rocha 

Publicada originalmente no dia 19/05/2017 em Portal180

Nos valores está contabilizado a quantia não paga à Caxé, uma das empreiteiras suspeitas, no valor de R$ 707.624,03. Embora tenha sido liberado a quantia a mais, nesse caso em específico, ela não chegou a ser paga. A Caxé tem outras obras em xeque…

– Para onde foi esse dinheiro?

– Até agora não há ninguém preso; investigações ocorrem no âmbito do Tribunal de Contas do Estado, após denúncia da imprensa…

– Há estradas que sequer existem, mas os pagamentos foram autorizados…

– Entre as empresas mais vorazes estão a MAQTERR, a Rede Construções e Perfurações de Poços e a Construplan.

A FARRA EM UM ANO ELEITORAL…
Um prévio levantamento feito pelo Blog Bastidores, do 180, evidencia que na segunda parte das tomadas de contas especiais realizadas nas obras do Instituto de Desenvolvimento do Piauí (IDEPI) há um possível desvio de exatos R$ 13.277.976,97.

Isso inclusa a quantia de R$ 707.624,03 aprovada para ser repassada à Caxé, uma das dez empreiteiras acusadas de lesar os cofres públicos no ano de 2014, quando estava à frente do instituto Elizeu Aguiar. O ano era um eleitoral, em que Wilson Martins se afastou do posto de governador para Zé Filho assumir o Palácio de Karnak e concorrer à reeleição.

Ao todo foram feitas 27 tomadas de contas especiais em estradas vicinais na segunda parte dos trabalhos realizados pela III Divisão Técnica da Diretoria de Fiscalização de Obras e Serviços de Engenharia (DFENG), órgão do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Há ainda outras 9 obras em estradas vicinais que não integram esse valor, mas com investigações já prontas. Portanto, o rombo pode ser maior ainda.

A cifra, de todo modo, já é assustadora, visto que tais desvios ocorreram em um ano eleitoral, com um vigoroso e suspeito aumento nos gastos com estradas vicinais no IDEPI.

O ex-gestor mor do IDEPI, Elizeu Aguiar. Esta semana ele anunciou que deixaria a presidência do River em outubro, alegando que iria se dedicar à sua família e aos seus negócios. Onde foram parar esses R$ 13 milhões do IDEPI, presidente?
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Além da Caxé, figuram no rol das dez empreiteiras suspeitas a Construplan, Garantia, MAQTERR, Moderna, Planos, Rede Construção e Perfuração de Poços, Engebrás, F & L Construtora, R. Rocha Construções e Projetos e Sertões Construções e Locação. É quase uma lava-jatinho piauiense, em se confirmando as já gravíssimas constatações.

Há a sugestão por parte dos auditores de que todas as dez empresas sejam impedidas de contratar com o poder público e declaradas inidôneas, assim como há a sugestão de responsabilização do ex-gestor Elizeu Aguiar em todos os 27 casos analisados – sendo que um deles, o objeto da licitação, inacreditavelmente, era o mesmo, e com valores discrepantes. Nem nisso combinaram. Os casos ainda serão apreciados pelos conselheiros da Corte de Contas.

Nesta semana, Elizeu Aguiar anunciou que deixaria a presidência do River em outubro. Afirmou que iria cuidar “da família e dos seus negócios”.

Não deveria deixar de incluir em suas preocupações o que ocorreu nesse ano de 2014, período que ainda deve render bastante, principalmente, se ele for parar na mira de uma investigação em âmbito criminal.

Zé Filho, um dos governadores do Piauí no ano de 2014…
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UM CASO ÍMPAR DE “MÁ FÉ”
Chama atenção, em meio a esse enrosco nada republicano com o dinheiro público por parte desse grupo de empreiteiras, um caso envolvendo a Engebrás Construções e Transporte.

Diz trecho de um dos relatórios de tomada de contas especial de autoria da DFENG: “comprovou-se que foram medidos e atestados a execução de serviços no valor de R$ 1.349.881,79 (62,4% do valor contratado), quando nenhum serviço de recuperação de estrada vicinal foi executado, tendo sido autorizado o correspondente pagamento”.

Mas, “além do exposto ficou constada a solicitação de pagamento do contrato, na sua totalidade, pela empresa Engebrás Construções e Transporte Ltda, caracterizando-se má fé, uma vez que os serviços objeto do contrato não foram realizados”.

É realmente de estarrecer.

Trecho do relatório sobre a ma fé da empreiteira e outros detalhes…

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VEJA MATÉRIAS PUBLICADAS PELO PORTAL 180 SOBRE O CASO IDEPI

Três destas reportagens estão entre as censuradas pela justiça. 

– Outra empresa é acusada de superfaturar R$ 3 milhões no IDEPI

– IDEPI: houve até realização de duas licitações para a mesma obra

– IDEPI: são 36 tomadas de contas especiais realizadas em estradas

– Corrupção: a suspeita é que desviaram milhões do IDEPI

– IDEPI: superfaturamento só em uma obra seria R$ 640 mil

– Corrupção no IDEPI: pagamento se estendeu pós Zé Filho

– Corrupção no IDEPI: empresa superfaturou R$ 2,3 milhões

– Exclusivo: empreiteira superfaturou até R$ 4,2 mi no IDEPI

– Caso IDEPI: empreiteira emite nota sem devido pagamento

 


*Esta é uma das mais de 20 reportagens que foram alvo de censura prévia imposta pela juíza Lygia Carvalho Parentes Sampaio, do estado do Piauí, ao Portal 180. Você pode conferir a liminar no link abaixo onde ela defere o pedido de “tutela antecipada” (censura prévia) para que o portal retire do ar notícias já veiculadas sobre a empresa Caxé e seus donos e que “se abstenham de divulgar novas notícias que atinjam a honra dos autores sob pena de multa diária de R$1.000,00 seu eventual agravamento, além de incorrer nas penas de crime de desobediência à ordem judicial”.

Liminar que impõe censura prévia ao Portal 180 pode ser conferida aqui

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