Ele quer ser o “Breitbart Tupiniquim”

Share on facebook
Share on linkedin
Share on twitter

Por Tiago Lobo

No dia 12 de julho de 2019 foi publicado o primeiro post do site Better Call Glenn (BCG), protegido por senha, intitulado “Glenn Greenwald paga incursões na Folha e Veja com promessa de investimentos”.

O BCG é um blogue extremista, criado para defender a Lava Jato, que venera Bolsonaro e Moro sem críticas, e anseia tornar-se o “Breitbart Brasileiro”. O site que os inspira seria definido pelo The New York Times como uma organização com “jornalistas ideologicamente impulsionados” que gera controvérsias “sobre material que tem sido chamado de misógino, xenófobo e racista”.

O nome do veículo é uma alusão ao advogado inescrupuloso da série Breaking Bad, Saul Goodman, que é comparado ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept e responsável pelos vazamentos sobre irregularidades da operação Lava Jato.

 “Tal como Goodman em Breaking Bad, Greenwald não tem escrúpulos, não segue regras morais e não se preocupa com sua péssima fama nos tribunais ou com a polícia de diversos países”.

O site parece ter os objetivos de difamar, distorcer e caluniar jornalistas envolvidos na divulgação dos documentos obtidos pelo The Intercept. Tudo isso, mesclando adjetivos ofensivos com ilações e teorias conspiratórias que os autores, anônimos, não conseguem comprovar. Para parecer real, lançam mão de técnicas narrativas para tentar aferir credibilidade ao conteúdo. Exatamente como o Breitbart faria. A paleta de cores (preto, branco e laranja) é a mesma do portal norte-americano e até o logotipo é similar.

Apesar de toda a pompa, o que parece estar por trás do surgimento deste veículo é o fanatismo por figuras como Jair Bolsonaro e Sérgio Moro e a mágoa pela onda de demissões de jornalistas no Brasil que, infelizmente, parece ser o único fato verídico que o portal abordou até hoje.

“Tão logo ocorreram as demissões em mais de 20 redações de jornais, revistas e portais em todo Brasil, um dos fundadores do Better Call Glenn saiu em busca de financiadores para desmascarar as figuras mais repulsivas da imprensa brasileira”, diz o texto da seção “sobre” do BCG.

Eles alegam possuir um dossiê com “cerca de 190 páginas” de “material sensível envolvendo Greenwald e seus comparsas” e contam que em 30 de julho de 2019 o “número de denúncias chega a 400”, sem deixar claro que denúncias são essas, como e pra quem foram feitas.

Como as denúncias seriam publicadas no BCG, que foi ao ar apenas em 12 de julho, seriam necessárias 22,2 “denúncias” por dia, até 30 de julho de 2019, para compreender as tais “400” que o site já teria feito. Até três de setembro, existiam apenas 47 postagens por lá, sendo duas acessadas apenas por senha.

A fixação do blogue na figura do jornalista do “caso Snowden” é tamanha que eles dedicam uma seção para definir o “Team Verdevaldo”, uma corruptela do sobrenome de Greenwald, que é muito utilizada por O Antagonista: veículo autodeclarado de direita da empresa Empiricus, que acumula processos e já teve licenças cassadas, mas que o jornalismo de O Antagonista ignora e defende.

Apesar de alguma semelhança, o BCG aposta em uma linguagem muito parecida com aquela utilizada pelos piores fóruns de ódio da Deep Web: “Poucas pessoas são capazes de formar uma quadrilha multinacional tão diversa e tão inescrupulosa. Os maiores criminosos da história sorriem no inferno e aguardam DOM VERDEVALDO, o @DomMascHry31, com tapetes vermelhos banhados em sangue e muitos pêlos (sic)”.

Em alguns textos parecem os Incels de Dogolachan.

DomMascHry31, pornografia e desinformação

O perfil do Twitter @DomMascHry31 exibe a foto do peito peludo de um homem. Este perfil existe desde junho de 2013, publicou 12 tweets até hoje, mas o nickname foi atribuído muito antes como sendo de Greenwald pelo empresário Peter Haas que tinha uma empresa de distribuição de filmes pornô.

Ele enfrentava problemas financeiros.  Greenwald atuava como advogado e tinha uma empresa de consultoria, a Master Notions, em parceria com o amigo Jason*, e concordou em ajudar Hass em troca de 50% dos lucros.

*Apesar de já ter sido amplamente exposto pela imprensa internacional, preservo o sobrenome desta pessoa em respeito a uma declaração em que ele explica como tal exposição foi nociva. Você pode ler, em inglês, aqui.

Segundo reportagem de 26 de junho de 2013, assinada por Dareh Gregorian, para o New York Daily News, pelos registros da Master Notions, nos dois meses em que as empresas trabalharam juntas, “Haas ganhou mais dinheiro do que nunca em toda a sua vida”.

Mas então ele se recusou a pagar a parte devida dos lucros, o que gerou uma batalha judicial onde ele acusaria Glenn de “exigir mudanças no conteúdo dos vídeos”, de ter roubado sua lista de clientes e de o ter intimidado a assinar um acordo, citando como provas vários e-mails que ele alegava serem de Greenwald, cujo endereço era “DomMascHry31”.

Quando Greenwald ameaçou, publicamente, contratar um especialista forense para provar que os e-mails eram falsificações, Peter Haas “rapidamente resolveu o caso, pagando uma parte substancial do que era devido e concedendo os direitos de usar o que havia obtido ao consultá-lo para iniciar seu próprio negócio concorrente”.

O sócio de Glenn, Jason, tinha ideia de seguir com o projeto e comprou a participação de Glenn após cerca de seis meses.

“Ser empresário, administrar empresas, nunca foi do meu interesse. Eu meio que experimentei isso”, disse Greenwald ao Daily News.

O perfil DomMascHry31 e a ideia de que o jornalista havia sido “processado por pornografia” ou “atuado em filmes pornográficos” foi, então, ressuscitada pelo infame retorno do “Pavão Misterioso” e pelo blog “MaritacaNews”, há pouco tempo.

Discurso de ódio disfarçado de jornalismo

Apesar de se dizerem jornalistas, os autores anônimos do Better Call Glenn não possuem o costume de apurar o que publicam: afirmam que Greenwald “passou a perna em sócios advogados, roubou e chantageou seu ex-sócio Peter Haas da indústria pornográfica, gosta de se gabar pela carteira recheada do amigo Pierre Omidyar e trava uma cruzada contra Sérgio Moro e nosso querido Capitão Bolsomito”.

O editor Leandro Demori, também do The Intercept é chamado de “Pseudo-lacrador e eguinha pocotó de partidos de esquerda” e que “de dois em dois anos junta uns trocados fazendo mala-direta de dados roubados de servidores públicos gaúchos para campanhas políticas no RS”, em uma provável alusão ao blogue Nova Corja, que Demori foi um dos fundadores e que denunciou esquemas de corrupção no Rio Grande do Sul que quase levaram à deposição da governadora Yeda Crusius. Que, inclusive, os censurou judicialmente.

 

Foto: Fellipe Neiva

A ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) também tem sua foto exposta, é atacada como “ex-aviãozinho, teco-teco da Odebrecht” e dito que teria “surtado ao descobrir que durante sua relação com José Eduardo Cardozo, recebia apelidinhos de seus colegas parlamentares”. Não há uma linha na imprensa sobre estas acusações. José Eduardo Cardozo engatou um namoro com Manuela em 2008.

Na época o site da revista IstoÉ publicou uma matéria com o infeliz título “Manu, a sedutora”, onde insinuava que Manuela teria emagrecido e passado a se vestir melhor por conta do namoro com José Eduardo Cardozo, do PT-SP, recém eleito secretário-geral da Executiva Nacional do PT, que depois se tornaria Ministro da Justiça.

“Que bobagem. Emagreci porque fiquei doente. E sempre me vesti bem. Daqui em diante, por qualquer motivo, vão dizer que estou apaixonada”, rebateu à revista que criticaria anos mais tarde pela abordagem machista.

Até hoje, com os dois em novos relacionamentos, parece haver uma relação de confiança, visto que Cardozo assumiu a defesa da ex-deputada no dia 29 de julho para oficializar a disposição dela a prestar esclarecimentos à Polícia Federal sobre os vazamentos investigados na operação Spoofing.

A colunista da Folha de S.Paulo, Mônica Bergamo também não escapou dos ataques do BCG. Ela seria, pasmem, ex-amante do petista José Dirceu, relações Públicas de Lula e inimiga do colunista Reinaldo Azevedo. Este e este texto demonstram que as coisas não são bem assim entre os dois colegas.

“Jamais desconfiei de seu esforço de reportagem, o que lhe rende uma página de muito e justo prestígio na Folha. Também louvo-lhe o esforço”, diria Azevedo que cita a colega como fonte até hoje para a sua coluna no UOL. 

Bergamo é jornalista formada pela Cásper Líbero e sempre atuou em jornais e revistas: trabalhou em Veja, Playboy, Folha de S. Paulo e BandNews FM. Nada de governos ou assessorias de imprensa. Seu perfil é de uma colunista crítica que entende o jogo de fazer e receber, como diria em março de 2013 quando recebeu o Troféu Mulher Imprensa na categoria “colunista de jornal impresso”: “o Brasil vive um momento de uma ampla liberdade de imprensa, em que a gente fala mal de todo mundo, todo mundo fala mal da gente”.

Quando entrevistou Lula, Bergamo contou bastidores da entrevista em áudio. O único contato próximo que teve com o ex-presidente, preso em Curitiba, foi no momento de cumprimenta-lo.

Em 2015 ela foi eleita por 48 mil profissionais, em sua maioria jornalistas de redações de todo o país, para o prêmio Top 50 dos Mais Admirados Jornalistas Brasileiros. Realizada pela Jornalistas&Cia em parceria com a Maxpress.

Procurada pela reportagem sobre a existência de qualquer tipo de relacionamento fora do profissional com José Dirceu ou Lula, Bergamo esclarece rapidamente que “Jamais – resposta para as duas perguntas. Em 34 anos de profissão, trabalhei exclusivamente em organizações jornalísticas”.

Heróis anônimos da Deep Web

É mais ou menos assim que Revoltaire (Felipe), Francis (Paulo), Sultan (Evandro) e Charles (Mandalah), os cabeças por trás do Better Call Glenn, se veem pelo FAQ (Perguntas Frequentes) do seu site.

Eles alegam já terem entregue “anonimamente para a polícia muitos pedófilos, racistas, homofóbicos e todo tipo de criminoso que usa a internet para causar mal aos outros”, mesmo que o BCG siga a mesma linha de caluniar, ofender e difamar.

Dizem que dois deles são “ratos da Deep Web”, que seria onde você “mais pega bandidos hoje e com facilidade”. A declaração, por si só, é bastante controversa: apesar da polícia federal possuir um método de investigação recente para identificar criminosos na Deep Web, as forças de segurança em geral desafiam a capacidade de investigação policial, como afirmaria a própria PF, por meio de nota, em novembro de 2016, ao afirmar que “poucas polícias no mundo obtiveram êxito em investigações na dark web, como o FBI, a Scotland Yard e a Polícia Federal Australiana”.

Mas nem só de justiceiros da internet profunda vive o BCG. Outro integrante teria trabalhado “muitos anos com partidos” e seria um “extremo conhecedor do PT, PTB, PSDB e DEM”.

O quarto membro deles seria muito experiente pois “já trabalhou muito com o Marcelo Rezende em operações de alto risco como aquela da Favela Naval, o caso do Ricardo Teixeira. Não tem medo de nada e de ninguém. Uma frustração do Rezende foi não conseguir levar ele para a Record, mas a TV já é um zumbi em termos de comunicação e jornalismo. Ele tem projetos fantásticos e um know-how de fazer inveja”.

Marcelo Rezende foi um jornalista, repórter e apresentador de televisão icônico com passagem por programas como Linha Direta, Cidade Alerta, Domingo Espetacular, Fantástico, Globo Repórter e Jornal Nacional. Rezende faleceu em 2017, então sequer é vivo para confirmar ou refutar as afirmações que envolvem sua memória. 

Para aferir credibilidade, eles utilizam nomes de pessoas conhecidas para validar suas supostas experiências. Rezende não é o único. Um deles afirma que “numas conversas com o Josimar Melo, que liderou a LIBELU e é um sujeito corretíssimo, vi que talvez eu tenha demorado para cair na real”.

” espero sinceramente nunca ter conhecido nenhum desses calhordas”.

 

De fato Melo, jornalista especializado em gastronomia e colunista da Folha de S. Paulo, participou do “Liberdade e Luta”, ou LIBELU, nos anos 70,  que foi a primeira tendência política, que nasceu com o movimento estudantil, e defendeu abertamente o lema “abaixo a ditadura”.  Ligada ao Trotskismo o movimento se dissolveu na primeira metade da década de 80 com muitos integrantes sendo absorvidos aos quadros do PT.

Josimar Melo, procurado pela reportagem, explica que “não conhecia o site, nem sei quem são aquelas pessoas. A pessoa que me cita diz ter sido trotskista; como fui dirigente trotskista e me relacionava com muita gente no movimento, é até possível que ele seja alguma pessoa com quem eu tenha conversado algum dia na vida. Mas como não sei o nome dele, nem o que ele fazia na época, não tenho como lembrar ou identificar. De toda forma, uma rápida olhada no site mostra que é uma usina de calúnias e fake-news alimentada por fascistas, e sendo assim, espero sinceramente nunca ter conhecido nenhum desses calhordas”.

Tendências messiânicas

O messianismo do BCG fica mais evidente a cada parágrafo: “na virada do ano tivemos a certeza que era preciso fazer algo e meter o pé na porta. A eleição do Presidente Jair Bolsonaro criaria sem dúvida um pânico na esquerda e sabemos como ela reage mediante a isso. Há jornalistas bons mesmo na redação de jornais como FOLHA ou na GLOBO, mas não é fácil dizer foda-se, vou me juntar a um blog de notícias independente para não ganhar nada e ainda arriscar minha vida”.

E assume contornos de milícia virtual: “Os quatros cavaleiros (risos), todos tem suas empresas, não vivem do blog e hoje pagam do bolso a construção e formatação dele para que nas eleições de 2020 seja um veículo forte. Sim, vamos virar vidraça e vitrine e tomar pedradas de esquerdopatas mas estamos preparados para isso e muito mais”.

“Evandro e Paulo”, os dois “ratos da Deep Web” possuem “verdadeiros impérios nos ramos a que se dedicaram na internet”. De novo, sem citar quais. “Charles” moraria fora do Brasil e sua descrição lembra muito os ensinamentos de Olavo de Carvalho pois “sabe qual o tamanho da vara para bater e a dose do veneno para sedar e capturar sem precisar matar”.

Eles alegam que respeitam muitos jornalistas, mas não conseguem citar nenhum. Afirmam, inclusive, que não publicariam “algo caça-cliques”.

Roda Viva e os caça-cliques

Três dias antes do fundador do The Intercept ser entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, O BCG publicou uma matéria com o título RODA VIVA VETA PERGUNTAS SOBRE ‘NEGÓCIOS PORNOGRÁFICOS DE GLENN GREENWALD’.Assim mesmo, em negrito, sublinhado e em caixa alta como são todos os seus títulos, contrariando os manuais de redação de jornalismo, editores ou professores universitários que você puder consultar.

O blogue afirma que enviou a “jornalistas de 3 grandes redações, um dossiê com 168 páginas contendo a vida de Glenn Greenwald no Brasil entre 2005 e 2014” mas que eles estariam impedidos de perguntar sobre a “vida pornográfica” do entrevistado. Vale lembrar que este dossiê “nasceu” no BCG com “cerca de 190 páginas” como registro no início desta reportagem. Mas parece que foi diminuindo.

Tentamos contato, por e-mail, com os jornalistas que participaram como entrevistadores do programa: André Guilherme Vieira (Valor Econômico), Gabriel Mascarenhas (O Globo), Lilian Tahan (Metrópoles), Felipe Recondo (Jota) e Ana Maria Campos (Correio Braziliense).

Questionamos se haveria algum assunto impedido de ser abordado, previamente, pela produção do programa Roda Viva e se algum deles teve que submeter perguntas que gostaria de fazer para análise da produção ou do entrevistado. Até a publicação desta reportagem, nenhum deles respondeu os questionamentos.

A assessoria de imprensa do The Intercept informa que “o Glenn foi ao programa na qualidade de convidado. Ele não teve nenhum espaço, como todo convidado, para discutir a pauta, os procedimentos, o conteúdo, os entrevistadores ou qualquer outra questão relacionada ao programa”.

A jornalista e apresentadora do Roda Viva, Daniela Lima, questionada sobre o funcionamento do programa esclarece que Glenn Greenwald não impôs nenhuma condição especial ou veto a qualquer assunto para participar do programa. Explica que “os jornalistas convidados para a bancada não fazem qualquer tipo de acerto prévio com a produção: não apresentam perguntas ou pautas, não recebem qualquer tipo de restrição nem sugestões de questões. A produção envia uma pesquisa de banco de dados de notícias já publicadas pela imprensa sobre o entrevistado e assuntos afeitos a ele, apenas para auxiliar a pesquisa dos repórteres”.

Lima, gentilmente, encaminhou as pesquisas enviadas aos repórteres dos programas com Glenn, Salles e Frota.

Tratam-se de documentos em PDF com um extenso compilado de notícias com uma introdução sobre os temas mais atuais extraídos de notícias diversas, e os textos integrais do que tem saído na imprensa sobre aquele entrevistado. Não os disponibilizaremos aqui por tratar-se de conteúdo protegido por direitos autorais dos respectivos repórteres e veículos de comunicação. A pesquisa sobre Glenn rendeu 78 páginas. A de Salles e Frota, 44 e 34 respectivamente.

Mas os caça-cliques não terminam por aí, muito menos a desinformação propagada pelo BCG. Em certo ponto chega a ser difícil de acreditar que alguém vá acreditar que quem escreve aquilo realmente acredite em si próprio…  

O presidente francês, Emmanuel Macron, teria um amante gay, é retratado como “uma bicha muito má” que persegue criancinhas e jornalistas.

O empresário, dono do Ebay e financiador do The Intercept, Pierre Omydiar vira o “Darth Vader” de Sério Moro, conspirando para derrubar o governo brasileiro.

Eles chegam ao ponto de simular uma entrevista para propor a narrativa de que  Greenwald teria pago quantias “na casa de dois dígitos de milhões” para veículos se juntarem à Vaza Jato.

Greenwald é o mais ferozmente atacado pelo BCG que fabula histórias sobre um suposto passado pornográfico de Glenn, insistindo em construir uma narrativa que possa ser utilizada para minar a credibilidade do jornalista.

“Glenn Greenwald não é apenas uma ameaça nacional. O homem que convenceu Pierre Omidyar a custear o golpe contra a NSA, a financiar a voz do crime com o The Intercept, a manter uma folha de pagamento financiando diversos jornalistas de esquerda nas maiores redações do Brasil, é também um homem capaz de passar por cima de quem esteja em seu caminho para tirar Lula da cadeia”.

Contatamos o BCG, por e-mail, e solicitamos acesso para analisar o suposto dossiê de “190 páginas” que eles alegam ter posse. Não houve retorno.

Sobre credibilidade, inclusive. Eles garantem que o que lhes confere tal ativo não é o nome de um jornalista, mas “manter a porta aberta para fontes anônimas” e o “passar dos fatos”. Faz sentido. O próprio BCG define sua lógica de atuação: “distinguir mocinho e bandido é questão de perspectiva e narrativa”.

Usando as próprias palavras do Better Call Glenn, “Lacrar ou espalhar Fake News: o BCG optou por ambos”. Talvez seja melhor ligar, mesmo, para o Glenn.

Um comentário sobre “Ele quer ser o “Breitbart Tupiniquim”

Deixe uma resposta

Pensamento.org é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que busca o fortalecimento da democracia e a defesa dos direitos humanos por meio do jornalismo.

  • Porto Alegre / RS
  • +55 (51) 99330-9479
  • pensamento.org@gmail.com
%d blogueiros gostam disto: