Checamos declaração de Luís Carlos Heinze (PP) sobre o custo logístico do RS

A trajetória política de Luis Carlos Heinze acompanha a história do Partido Progressista (PP), desde o tempo em que se chamava Partido Democrático Social (PDS), passando mais tarde a atender por Partido Progressista Brasileiro (PPB), até chegar à nomenclatura atual – que em breve será atualizada para Progressistas.

Por Jacqueline Jorge e Lucas Borghetti*

Heinze foi prefeito em São Borja, de 1993 a 1996, pelo então PDS. Em 1999, assumiu o primeiro mandato como deputado federal, já pelo PPB. Segue se reelegendo a cada pleito, chegando ao quinto mandato consecutivo como o deputado federal mais votado do Rio Grande do Sul, em 2016, com 162.462 votos, pelo PP.

Engenheiro agrônomo e produtor rural, o pré-candidato do PP ao governo gaúcho é uma liderança da bancada ruralista. Escolhido oficialmente pelo partido em 24 de março, na pré-convenção do PP, para concorrer ao cargo de governador, Heinze tem reafirmado sua ligação com o agronegócio em pronunciamentos e entrevistas. Checamos uma declaração do progressista sobre o custo logístico do Estado, proferida em entrevista à Rádio Bandeirantes, no dia 22 de abril. A mesma frase foi repetida outras vezes em materiais de campanha do candidato.

“O custo normal da logística é 7 – 8 %. Aqui, no Rio Grande do Sul, é 18 – 19 %. Isso tira de quem? Do consumidor em uma ponta e do produtor em outra ponta. Esses 10% – 9% do custo a mais na logística por faltar ferrovia e hidrovia.”

Conforme indicado pela assessoria de Heinze, a informação de que o custo da logística no RS é de aproximadamente 20% do PIB do Estado vem da Agenda 2020, um movimento do setor empresarial que tem gerado dados econômicos em parceria com diversas instituições da área. O indicador apresentado aponta para um estudo feito pela consultoria Intelog. A assessoria indica ainda matérias jornalísticas do site GauchaZH, do portal Destaque Rural  e do portal Logweb, que citam esse indicador.

No entanto, há divergência sobre o que seria o custo “normal” da logística, pois o  percentual pode variar se o custo for calculado em relação à receita da empresa ou em relação ao PIB, por exemplo.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT), com base em uma pesquisa elaborada pela Fundação Dom Cabral (FDC), aponta que o custo logístico consumia cerca de 11,7% da receita das empresas em 2015. Em 2017, a Fundação Dom Cabral divulgou uma nova pesquisa, indicando que o percentual médio do faturamento bruto das empresas gasto com custos logísticos foi de 12,37%. Foram analisadas 130 empresas, sendo que 64,62% têm suas matrizes localizadas na região sudeste do Brasil.

Outra informação apurada pela CNT, com base no Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain), aponta que o custo logístico consumia 12,7% do PIB do Brasil em 2015. Além disso, a pesquisa informa que, nos Estados Unidos, o custo logístico corresponde a 7,8% do PIB, indicador mais próximo do citado por Heinze. Para chegar nesses valores, a Ilos contou com a participação de 126 profissionais de logística, sobretudo gerentes e diretores de logística, que responderam questionários.

Assim, a afirmação de que o custo logístico do RS gira em torno de 18 e 19% pode ser considerada correta com base no estudo da Agenda 2020/Intelog, que estima o custo logístico em relação ao PIB estadual, mas a comparação com o que o pré-candidato toma como custo normal está sem contexto, porque não deixa claro qual a referência de comparação adotada.

Veja aqui as checagens dos nove pré-candidatos ao governo do RS feitas no FiltroLab


 

*Conteúdo gerado durante curso de extensão “Laboratório de Fact-checking”, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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