A Taverna do Viaduto Otávio Rocha

Foto: Débora Birck

Quem desce o viaduto na Av. Duque de Caxias, em direção ao centro, certamente já passou pelo boteco Tutti Giorni. Bar que reúne todo o povão que não quer desembolsar mais do que cinco pilas por um prato feito.

Por Tiago Lobo

 


Aporta aberta revela um corredor escuro, com lâmpadas num clima “à meia luz”. A entrada é atrolhada de caixas de cerveja, mesas de bar em pilhas e uma televisão que quase nunca é ligada, pois Ernani, o proprietário, prefere a música. Que, aliás, é tempero indispensável do seu famoso Carreteiro de R$2,00. Até o meio dia o dono conta que “só toca gaudério”, depois a atendente dá o tom e muda de estação. Mas isso varia, pois os clientes mais fiéis dizem que o “Nani bota o som de acordo com o gosto do ouvinte”.

As paredes são desordenadamente forradas com fotos, cartazes e centenas de charges feitas por sócios da GRAFAR (Grafistas Associados do Rio Grande do Sul) que são o diferencial do lugar.

O cliente pode escolher se prefere as mesas largas de madeira que ficam nos cantos, umas meio bambas, ou às redondinhas de centro, com bancos sem encosto e toalhas xadrez. Parece à Casa dos Sete Anões em tamanho humano e bagunçado.

Tragédia e Glória

O lugar existe faz 21 anos, e é familiar. Passou de pai para os filhos Ernani e Emilio Pedrozo, que hoje é fotógrafo da Zero Hora. Após a morte do pai, e um acidente de carro que deixou o atual proprietário em coma por 2 meses, sobrou pro “Nani” a gerência do lugar; ou “Ernanimus Gourmet”, como também é conhecido. O taverneiro, de 46 anos, lidera a cozinha, serve os clientes com uma simpatia inabalável e anda tira um tempinho pra dedilhar seu violão, nas terças, pela noitinha, quando o clima fica mais animado. “Já tivemos umas 150 pessoas, numa terça, de noite, aqui pelo Viaduto. Quando chove e o povo todo vem pra dentro não dá nem pra se mexer”, conta o dono, rindo.

Um prato cheio

Assim que cheguei fui servido pelo próprio Ernani, que faz o tipo italiano fanfarrão, “mucho bona gente”, com um avental a tiracolo e um sorriso gentil ao anunciar:

— É o melhor almoço do viaduto e pode ser o pior também, só tem eu.

Por 3 pilas recebi um copo de refri e um prato fundo, daqueles de sopa, com 2 folhas de alface, salada de maionese, uma porção monstruosa de carreteiro de lingüiça e um feijãozinho transbordando pelas beiradas. Por incrível que pareça a comida é boa! No carreteiro encontrei um ou outro naco de frango e algo que lembrava meia almôndega. Mas haja fome pra dar conta de um pratão daqueles, e ainda servem uma travessa com uma porção “extra”. Dá pra ver que a coisa é reforçada.

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