A criminalidade caiu no RS, como diz Sartori (MDB)? É discutível

Houve redução nos indicadores de criminalidade em 2017, mas ainda é cedo para apontar tendência de queda (Foto: Polícia Civil RS)

Mesmo diante de um aumento histórico na violência no Rio Grande do Sul, o governador e candidato à reeleição pelo MDB, José Ivo Sartori, afirmou, em entrevista ao Jornal do Comércio, publicada em 3 de setembro, que a criminalidade caiu.

Bruno Moraes, do Filtro Fact-checking

Questionado sobre suas propostas para diminuir os índices de criminalidade do estado em uma eventual segunda gestão, Sartori iniciou sua resposta dizendo que “todos estão percebendo que a redução da criminalidade aconteceu”. O trecho não foi transcrito na edição impressa, mas pode ser conferido no áudio da entrevista disponibilizado no site do veículo (aos 31 minutos e 50 segundos).

“Todos estão percebendo que a redução da criminalidade no RS aconteceu.”

O Truco nos Estados – projeto de checagem de fatos da Agência Pública, feito no Rio Grande do Sul em parceria com o Filtro Fact-checking – verificou dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado e concluiu que a declaração do governador é discutível, pois mesmo com uma leve melhora nos indicadores de roubo e assassinato no ano de 2017 e no primeiro semestre de 2018, a violência atingiu recordes históricos no período entre 2006 a 2016.

O período levado em conta não foi explicitado por Sartori. Dados da SSP para 2016 e 2017 mostram que as ocorrências de roubo caíram de 88,5 mil para 87,1 mil, e as de assassinato (homicídios e latrocínios) recuaram de 2.814 para 2.730. As quedas, nos dois casos, são tímidas: 1,6% e 3%, respectivamente.

Comparando o primeiro semestre do ano passado com o mesmo período de 2018, também há melhora nos números. De 1.516 ocorrências de assassinato, houve queda para 1.146 (-24,4%), enquanto das 46.663 ocorrências de roubo, chegou-se a 36.870 (-21%). Por outro lado, houve aumento nas ocorrências de estelionato, bem como de posse e tráfico de entorpecentes.

Ainda assim, diz o diretor-executivo do Instituto Cidade Segura, Alberto Kopittke, em texto publicado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública – 2014 a 2017, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), “nos últimos dois anos [2016-17] o estado atingiu os piores índices de sua história contemporânea e Porto Alegre ingressou no ranking das 50 cidades mais violentas do mundo”. Ou seja, mesmo com menos crimes do que o ano anterior, 2017 foi um dos anos mais violentos do Rio Grande do Sul.

Recuando até os registros de 2015 – primeiro ano de Sartori no governo – na comparação com os de 2017, ao invés de redução, seria possível apontar aumento nas ocorrências de roubo, que subiram 8% (de 80,6 mil para 87,1 mil), e nas de assassinato, com crescimento de 6% (de 2.574 para 2.730). Ainda, se comparados os três primeiros anos de Sartori com os três primeiros anos do governo anterior (Tarso Genro, do PT), o desempenho do atual governador na segurança é pior. Entre 2011 e 2017, houve aumento de 93,9% nos roubos (de 44,9 mil para 87,1 mil) e 50,5% nos assassinatos (de 1.814 para 2.730).

Além disso, o RS foi o segundo estado brasileiro com mais chacinas em 2016. Em um levantamento mais extenso, o Atlas da Violência 2018, também do FBSP, mostra que o RS saiu de 1.983 homicídios, em 2006, para 3.225 vítimas, em 2016 – um aumento de 62,6% no período.

Diante do cenário, Eduardo Pazinato, especialista em segurança e associado pleno do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, observa que ainda é cedo para afirmar que há uma tendência de queda na criminalidade no RS. “Houve uma contenção do crescimento dos indicadores neste último ano, mas os patamares de vitimização e de crimes letais da última década são muito maiores que os da década anterior, por isso sou muito cauteloso ao falar em tendência de redução”, explica o especialista.

Como a afirmação de Sartori está baseada em uma redução verificada em um período curto em contraste com uma década de crescimento da criminalidade no RS, a frase do governador foi classificada pelo Truco nos Estados como ‘discutível’.

Resposta do candidato

Comunicada sobre o selo atribuído à declaração, a assessoria de Sartori reiterou que os indicadores de criminalidade caíram no primeiro semestre de 2018, em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme dados da SSP.

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