A Copa do Mundo é nossa e com a política não há quem possa!

Muito se fala sobre os supostos benefícios que a copa do mundo de 2014 trará ao Brasil, mas pouco se alardeia sobre suas despesas.

Por Tiago Lobo

 


O ingênuo receberá o que lhe é empurrado como verdade providencial, afinal, “foi dito na TV”. O torcedor mais humilde e empolgado com a possibilidade de acompanhar sua seleção também cairá no engodo simplório de lançar-se a esperança oportunista de seu sonho. Estes, por sua vez, teimam em não imaginar, devido ao lençol político que corrói o âmago da imprensa, que este evento não tem por objetivo entreter, sustentar, gerar empregos e beneficiar os necessitados e miseráveis que transbordam como um copo cheio, chacoalhado por um governo deficiente de políticas públicas eficazes e distribuição de renda tão injusta quanto a moderna selvageria social que tem por objetivo execrar o “nós” e enaltecer primeira pessoa do presente e pronomes possessivos.

O que está sendo executado, na cara do povo brasileiro, pintando seu nariz redondo de vermelho, é a venda das indulgências modernas e a política romana do pão e circo revisitada, que prometem soluções a título de qualidade de vida através de um dos eventos mais custosos à população — varrida como pó para debaixo dos tapetes persas do Senado.

Quem ganha com a Copa do Mundo de 2014, fugindo da inegável beleza da festa e incontestável benefício ao orgulho nacional, a fim de instaurar o patriotismo à custa dos atletas que mal percebem quando o rei os faz avançar contra os peões alheios, são os partidos políticos em campanha e empresários estabelecidos. O trabalhador subordinado aos ramos do turismo, transporte público, comércio e alimentação só beneficiar-se-á através de horas extras e subempregos devido ao fluxo de público-consumidor e capital estrangeiro. Mas até aí, qualquer show e evento cultural centralizado, reduzindo proporções, é culpado pelo aumento da procura que gera demanda.

E se alguns membros das nossas torcidas já se unificam em clãs guerreiros para trocar tabefes ao final das partidas, o que esperar de uma nação que luta entre si pelo fanatismo puro e condenável que obscurece a razão e transtorna a consciência?

Torçamos, então, para que esta nação que agora recebe atenção mundial seja no esporte, como é na política: permitidora, inerte e conformada.

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