A Itália faz o que o Brasil nunca fez: botou no banco dos réus os militares brasileiros envolvidos com a Operação Condor, a multinacional repressiva que nos anos 1970 coordenou a caçada a dissidentes no Cone Sul do continente, dominado na época pelos generais das ditaduras que assolavam a região.

Nesta quarta-feira, 29, o papel criminoso do Brasil, membro ilustre da Condor, está sob investigação na Itália, na sala principal da 1a Corte Penal do Tribunal de Roma, que julga três coronéis do Exército brasileiro e um delegado do DOPS envolvidos no desaparecimento de um argentino, Lorenzo Viñas, sequestrado e desaparecido em solo brasileiro desde 1980.

Por Luiz Cláudio Cunha
Jornalista e autor de Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios (Ed. L&PM, 2008)

Publicado também em Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim.


Na quarta-feira, 29, a Itália fará o que o Brasil não fez. Teremos em Roma a última chance de condenar algum brasileiro nos crimes da Operação Condor. A Corte Romana julgará três agentes da repressão brasileira, todos gaúchos, envolvidos no desaparecimento do ítalo-argentino Lorenzo Vinãs Gigli, desaparecido em Uruguaiana (RS) em 26 de junho de 1980.

No relatório final da Comissão Nacional da Verdade, o nome de Viñas aparece entre as vítimas da repressão brasileira. Mas até hoje ninguém foi punido pelo Brasil.

Acusados de homicídio doloso, caso sejam condenados pelos Italianos, agentes da ditadura poderão ser condenados à prisão perpétua.

A chamada Operação Condor foi uma rede de repressão político-militar e troca de prisioneiros formada pelos serviços de inteligência das ditaduras do Cone Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai), com os serviços secretos dos Estados Unidos, que perdurou pelas décadas de 1970 e 1980.

 


Enfim, uma boa notícia neste pântano de informações desalentadas que fazem cada vez mais opressivo o cotidiano dos brasileiros: nenhum quartel, nenhum general ousou comemorar a tragédia de 31 de março de 1964, o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart e implantou a ditadura militar há 51 anos. O silêncio não foi produto de uma súbita conversão democrática, mas ordem sumária da comandante-suprema das Forças Armadas, a presidente, ex-guerrilheira e ex-torturada Dilma Rousseff.

Por Luiz Cláudio Cunha

Publicado originalmente em Jornal JÁ

 

Exército, a Marinha e a Aeronáutica mobilizaram durante quatro meses seus oficiais-generais mais qualificados para desfechar o mais canhestro ataque militar dos últimos tempos no Brasil — fuzilando o bom-senso, torpedeando a inteligência, bombardeando a memória nacional e condenando ao extermínio a verdade segregada nos campos de concentração erigidos pela mentira.

Por Luiz Cláudio Cunha