Jornalista Rômulo Rocha volta a ser intimado, só que agora pelo 12º DP

Profissional vem sofrendo ações na Justiça, Polícia e na Imprensa após noticiar caso de corrupção

Publicada originalmente no dia 26/07/2017 em Portal180


O jornalista do 180 Rômulo Rocha voltou a ser dado como intimado, dessa vez, pelo 12º Distrito Policial, localizado na região nobre da capital Teresina.

O delegado que expediu a intimação é José Leandro Filho. A data da expedição do documento foi último dia 20, uma quinta-feira.

O profissional de imprensa, no entanto, veio saber da intimação somente na tarde desta terça-feira (25). Ele reside em Brasília, onde cursa Direito e estuda inglês, práticas facilmente comprováveis.

E só soube porque um dos moradores que passou a residir no apartamento em que o jornalista morava, no condomínio Play Ilhotas, coincidentemente, foi à portaria e recebeu a intimação já assinada por um dos porteiros. Fatos também fácil de serem comprovados.

O morador, por sua vez, avisou ao portal de notícias da existência da intimação. Essa pessoa só adentrava ao recinto pelo elevador através da garagem subterrânea, sem precisar passar pela portaria.

O dia marcado para o jornalista comparecer ao 12º Distrito Policial seria esta quarta-feira (26), às 11h30, sob pena de responder por crime de desobediência, tipificação existente no Código Penal brasileiro.

Novamente, a exemplo do que ocorreu na Delegacia da Mulher, os advogados do 180vão protocolar explicações da ausência do profissional e tentar acordar uma nova data para o seu comparecimento.

Também, novamente, o jornalista, ainda que não intimado oficialmente, mas somente informado da existência da intimação, se predispõe a comparecer ao distrito policial.

Pouquíssimas pessoas sabiam com tanta precisão onde morava o profissional nos dois anos que passou no Piauí, com viagens intercaladas a Brasília. O que chama atenção. Detalhes que talvez não façam nenhum sentindo, por enquanto.

O jornalista Rômulo Rocha
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Ainda não se sabe o teor da queixa, nem o possível autor ou autora, muito menos de que o jornalista é acusado.

AÇÃO CONTRA O PROFISSIONAL E CORRUPÇÃO
Nos últimos 30 dias, o jornalista sofreu uma onda de ataques, através da Justiça, Polícia e até na imprensa.

Nesta última chegou-se a imputá-lo falso crime supostamente praticado contra uma ex-namorada que não vê há mais de 10 anos.

Rômulo Rocha noticia um rumoroso caso de desvio de dinheiro público do Instituto de Desenvolvimento do Piauí, o IDEPI, que envolveria políticos, ex-gestores, diretores, um grupo de engenheiros e mais de 10 empreiteiros, alguns ligados a altas autoridades públicas.

O jornalista chegou a noticiar que parte do dinheiro pode ter sido lavada através de igrejas, segundo suspeitas de uma fonte.

O suposto desvio teria chegado a cerca de R$ 13 milhões através de estradas vicinais. Isso num ano eleitoral.

Há suspeitas também de que as licitações eram realizadas de forma fraudulenta, segundo as autoridades que investigam.

Ao todo são 75 procedimentos no Tribunal de Contas do Estado e no Ministério Público Estadual, entre tomada de contas especial e investigações com quebras de sigilos fiscal e bancário de vários dos supostos envolvidos.

EMBATE JUDICIAL
Semana passada o jornalista processou o Portal GP1 por lhe imputar o falso crime de “agressor”, “perseguidor” de uma ex-companheira que não vê há muito tempo. Acusação que não há qualquer evidência fática.

O marido da jovem é um dos empreiteiros investigados e ela, segundo o portal, teria apresentado uma queixa contra o jornalista.

O GP1 não cita nomes, apenas diz “ex-namorada”. O portal não noticia sobre o Caso IDEPI.

180 ainda não teve acesso ao teor da queixa. A Delegacia da Mulher, até agora, silenciou sobre o assunto.

A suspeita é que seja uma ex-companheira cujo relacionamento se deu entre os anos de 2001 a 2005 – a quem o jornalista diz ser uma “então amiga de infância”, mas com quem nunca mais manteve contato deste então.

O GP1 também chegou a afirmar que o jornalista, após ser intimado pela Delegacia da Mulher, fugira para Brasília. O que mais uma vez não encontra amparo na realidade. A audiência na justiça com o GP1 é no dia 21 de agosto.

Há a preocupação de que as ações contra o profissional do 180 visem criminalizar a prática jornalística e que a polícia do Estado do Piauí esteja sendo um dos instrumentos usados para silenciar o profissional.

CRÍTICAS À POLÍCIA
Rômulo Rocha também faz duras críticas à Polícia Civil. Uma das matérias escritas nesta terça-feira (25), por exemplo, criticava a instituição no tocante aos esforços dispensados para o combate à corrupção no estado. Houve a exposição de documento exclusivo sobre a existência de 120 inquéritos na GRECO.

No documento um delegado da divisão de combate à corrupção informa ao delegado-geral Riedel Batista que o grupamento não tem condições de tocar as investigações por falta de estrutura.

O jornalista cobra o que foi feito com esses 120 inquéritos, e para isso, acionou a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança mais uma vez, que até agora não respondeu.

Esse documento já havia sido exposto em outra ocasião pelo Blog Bastidores, do 180, assinado pelo jornalista.

VEJA: 

– Polícia do Piauí não contabiliza em seus balanços combate à corrupção

CAÇA
Não é a primeira vez que Rômulo Rocha é intimado seguidamente em delegacias. Em 2015 quatro queixas-crime foram apresentadas em distrito policial contra o profissional por denunciar o desvio de dinheiro público envolvendo também altas autoridades do Piauí.

O objetivo, expresso pelo delegado, era fazer calar. “Se você parar de escrever eles param”, chegou a dizer. Uma instituição de defesa da liberdade de expressão pediu os documentos.

No dia da audiência, já na justiça, o denunciante ainda ironizou na frente do jornalista. “E não foram cinco queixas, não?”, questionou em alto e bom som.

Na justiça são inúmeras as ações na tentativa de intimidar o profissional do 180.

Um dos requerentes é um ex-prefeito do município de Demerval Lobão, condenado pela Justiça Federal à prisão por corrupção. Ele move duas ações contra Rômulo Rocha. Ambos já chegaram a discutir quando de uma dessas audiências.

No ano da última eleição, em 2016, tentaram atrair o jornalista para a estrada que leva ao município de Altos, com a proposta de repasse de informações sobre a compra de votos durante o período eleitoral.

Naquela época o jornalista tornou público a compra de votos por um vereador de Teresina.

A pessoa que o chamara para o suposto repasse de informações era quem estava a negociar votos com o tal político.


DOCUMENTOS TORNADOS PÚBLICO PELO JORNALISTA RÔMULO ROCHA, QUE COBRA CELERIDADE E AÇÃO DA POLÍCIA CIVIL PARA INVESTIGAR A CORRUPÇÃO NO PIAUÍ, INCLUSIVE, O RUMOROSO CASO IDEPI.

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*Esta é uma das mais de 20 reportagens que foram alvo de censura prévia imposta pela juíza Lygia Carvalho Parentes Sampaio, do estado do Piauí, ao Portal 180. Você pode conferir a liminar no link abaixo onde ela defere o pedido de “tutela antecipada” (censura prévia) para que o portal retire do ar notícias já veiculadas sobre a empresa Caxé e seus donos e que “se abstenham de divulgar novas notícias que atinjam a honra dos autores sob pena de multa diária de R$1.000,00 seu eventual agravamento, além de incorrer nas penas de crime de desobediência à ordem judicial”.

Liminar que impõe censura prévia ao Portal 180 pode ser conferida aqui

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