Sobrinho de Roncalli é suspeito de investigar vida pessoal de jornalista

– Empresa supostamente usada para vasculhar vida de jornalista em uma madrugada de sábado é uma das acusadas de integrar o Caso IDEPI, que vem sendo noticiado pelo profissional do 180

– R$ 13 milhões. Essa cifra, oriunda de recursos públicos, é o montante que teria sido desviado através de estradas vicinais; os números, no entanto, divergem e podem se mostrar outros

– Nas últimas semanas, o jornalista tem sido alvo de ações junto à Justiça, à Polícia (Delegacia da Mulher e 13º Distrito Policial), na imprensa e tem tido sua vida pessoal devassada.

Publicada originalmente no dia 01/08/2017 em Portal180

IMAGINA-SE QUE ERA PARA SER SEGREDO
Gustavo Macedo Costa, o sobrinho do ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Piauí (TCE) Sabino Paulo e do ex-deputado Roncalli Paulo – este condenado à prisão na primeira instância da Justiça Federal, acusado de atos de corrupção -, é suspeito de realizar uma vasta pesquisa sobre a vida do jornalista Rômulo Rocha, do 180.

Esta segunda-feira (31), o profissional de imprensa contratou, pagou e autorizou uma empresa de Brasília a fazer um amplo levantamento sobre sua própria vida pessoal, com todos os registros no âmbito criminal, financeiro e outros casos mais que pudessem existir.

Estava desconfiado da movimentação de terceiros, como de alguns empreiteiros e nomes em torno da construtora Caxé, depois que o proprietário da empresa apareceu em uma delegacia com o endereço da antiga moradia do jornalista em Teresina, local que poucos sabiam onde era – que pode ter sido descoberto de forma simples (mais provável) ou por um profissional particular que investiga pessoas.

O objetivo, segundo o jornalista, era saber o que pesava contra si próprio por conta do trabalho de críticas e denúncias, já que se proliferam queixas e ações na justiça, além do que, levantar aquilo que poderia ser usado de forma maldosa, com interpretações outras, e ainda, para saber sobre processos judiciais contra algumas construtoras e os reflexos financeiros de brigas judicias de longos anos junto a instituições financeiras.

Uma empresa, de nome Caxé, sediada no município de União, usando empresa de São Paulo, teria feito a pesquisa.

Quem a fez? Por que a fez, visto se tratar de dados pessoais? Para que a fez?

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A SURPRESA: CAXÉ FAZ CONSULTA ÀS 00H00 DE UM SÁBADO
Para surpresa de alguns, o relatório obtido pelo jornalista apontou que uma empreiteira, a Construtora Caxé LTDA EPP, localizada em União, município do Piauí, realizou levantamento parecido sobre a vida pessoal do profissional. Isso, sem autorização, ou qualquer relação de consumo entre as partes.

A Caxé seria, na verdade, a construtora cujo um dos proprietários trata-se de Gustavo Macedo Costa, alvo de inúmeras tomadas de contas especial junto ao Tribunal de Contas do Estado do Piauí, no Caso IDEPI, justamente um dos casos que conta com a atenção do jornalista do 180.

O nome da empresa e a localização, em União, que surgiram no levantamento contratado por Rômulo Rocha, coincidem com o nome e a localização da empresa piauiense junto à Receita Federal, cujo e-mail para contato é gustavocosta@bol.com.br.

Gustavo Macedo Costa figura como sócio-administrador da empreiteira. Mas há um outro sócio, Rhadson George Magulas Marques.

A Caxé diz ter um capital social de R$ 3 milhões e teria sido fundada em 29 de abril de 2004.

Provavelmente é essa empresa, pertencente a esses dois sócios, que, estranhamente, teria realizado consultas sobre o jornalista para levantar informações pessoais a seu respeito.

E isso às 00h00 do dia 8 de julho de 20017, um sábado. Muito provavelmente quem realizou a consulta não esperava ser descoberto dessa forma.

Quem é Rhadson George Magulas Marques ainda é uma incógnita. Por enquanto, sócio da Caxé.

O tipo de cadastro levantado pela Caxé provavelmente traz também: “Informação Confidencial. Uso exclusivo da empresa associada para auxílio na aprovação de crédito. A divulgação de tais informações a terceiros sujeitará o infrator às sanções penais”. A empresa usada pela empreiteira para levantar as informações é sediada em São Paulo.

Ocorre que o jornalista Rômulo Rocha não fez negócios com a Caxé, nem solicitou aprovação, concessão de crédito, ou algo do tipo a ela.

Quem fez a pesquisa?
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Ao contrário, noticia sobre a empreiteira e um grupo de cerca de 12 construtores e seus sócios, ex-gestores do Instituto de Desenvolvimento do Piauí (IDEPI), ex-diretores, engenheiros e políticos, muitos, suspeitos de atuarem em um rumoroso caso onde pairam outras inúmeras suspeitas de desvios de recursos públicos através de estradas vicinais.

Cerca de R$ 13 milhões teriam sido superfaturados. Há 36 tomadas de contas especial no TCE prestes a ir a julgamento e existem 42 investigações no Ministério Público Estadual conduzidas pelo promotor Fernando Santos.

Segundo a empresa que levantou as informações para o jornalista Rômulo Rocha – ocasião em que se descobriu a ação da Caxé – foi necessário, para que existissem as pesquisas, uma autorização expressa dada a ela pelo profissional do 180, algo que a empreiteira de Gustavo Macedo Costa não tinha.

Não se sabe ainda a extensão do levantamento realizado pela Caxé, se ele foi ilegal e para que seus representantes queriam essas informações pessoais. Muito provavelmente Gustavo Macedo Costa será chamado a se explicar, assim como o outro sócio.

São estudadas que providências serão tomadas contra ambos os sócios da Caxé e a própria empreiteira caso seja constatado crime.

Uma pesquisa similar, com tais alertas, teria sido realizada com o nome do jornalista pela empresa Caxé
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ATAQUES AO JORNALISTA
Nas últimas semanas o empreiteiro Gustavo Macedo Costa já ingressou com uma ação contra o jornalista na justiça por conta das notícias sobre o Caso IDEPI.

A esposa do proprietário da Caxé também já teria ido à delegacia da mulher registrar queixa contra Rômulo Rocha, o acusando de algo como perseguição. O jornalista ainda não teve acesso à queixa.

Uma organização sediada em Londres, na Inglaterra, com braço no Brasil, e que já denunciou o país à Organização dos Estados Americanos (OEA) por desrespeito sistemático a comunicadores, solicitou a cópia do documento e informou que acompanhará o caso.

Logo em seguida, o Portal GP1 acusou de forma leviana o jornalista de ser “obsessivo” e “agressor” de uma ex-namorada (o que não é verídico), que por sua vez é a atual mulher do empreiteiro suspeito.

O portal e o blogueiro que divulgaram falso crime são processados por isso, com audiência já marcada para a terceira dezena de agosto – deverá existir ainda uma ação criminal contra os envolvidos.

O jornalista se relacionou com a jovem, da qual nunca quis revelar sequer o nome – embora haja a curiosidade de muitos -, para não a expor, mas entre 2001 a 2005. Há mais de uma década, portanto, e nunca mais a viu ou falou com ela.

Também nunca mais teve notícias sobre seu paradeiro. A informação última era a de que ela teria uma filha pequena – mais um motivo usado pelo o jornalista para não a expor.

A primeira vez que a mulher do empreiteiro apareceu nesse caso, foi na ação judicial que o engenheiro move contra o jornalista, alegando está sendo perseguido por conta de um relacionamento amoroso infrutífero do passado.

A exposição pelo empreiteiro da própria mulher foi condenada de pronto e de público pelo titular do Blog Bastidores. A partir daí os ataques ao profissional do 180 se intensificaram.

MAIS QUEIXAS
Não satisfeito com esse leque de investidas, sempre rebatidas pelo jornalista, o empreiteiro foi ao 12º Distrito Policial com o último endereço residencial do funcionário do 180 que poucos sabiam – quando da permanência do profissional de imprensa em Teresina nos anos de 2015 e 2016, e registrou uma nova queixa.

Ao tomar conhecimento de mais uma queixa e intimação, o jornalista informou, por meio da assessoria jurídica do portal, que comparecerá à delegacia em data já agendada, uma vez que reside em Brasília.

Agora se descobre, e tudo indica que sim, foi realizado através do nome da Caxé um levantamento de dados e informações sobre a vida pessoal de Rômulo Rocha. A menos que haja outra Caxé com interesse na vida do jornalista, tudo leva a crer que trata-se da empresa piauiense.

Outro detalhe que chama atenção é que na ação que move contra o jornalista, Gustavo Macedo Costa fez anexar a certidão de casamento.

Comparando-se essa a outras ações que movem contra o comunicador é um fato inusitado.

MAIS DIVULGAÇÕES
Na noite de domingo, o jornalista noticiou que um dos gestores do IDEPI revelou que sofreu inúmeras pressões de empreiteiros para receber valores que o TCE havia mandado bloquear.

Trata-se do irmão já falecido de Fernando Monteiro (VEJA NOTA: “Corrupção no IDEPI: empreiteiros fizeram todo tipo de pressão possível”).

A Caxé seria uma dessas empresas.

Última semana o jornalista também publicou matéria sobre a empresa de Gustavo Macedo Costa: “Corrupção no IDEPI: sobrepreço em obra da Caxé era de R$ 500 mil; veja”.

Ao todo Rômulo Rocha já publicou cerca de 20 matérias sobre o caso além de notas no Blog Bastidores, e tratou sobre quase todos os envolvidos até agora.

Gustavo Macedo Costa parece ter sido o único que não aceitou a exposição.

AUDIÊNCIA NA JUSTIÇA ENTRE EMPREITEIRO E JORNALISTA
A audiência para tratar da ação que o empreiteiro move contra o jornalista está marcada para final de setembro, quando estarão pela primeira vez frente a frente. Eles não se conhecem, nunca se falaram, ou tiveram qualquer tipo de disputa ou animosidade.

O jornalista diz que noticia sobre a corrupção e denuncia casos de norte a sul, leste a oeste do Piauí, e que se a construtora do empreiteiro não figurasse no Caso IDEPI não estaria a tratar dela junto com as demais.

E, embora tenha afirmado, de público, que não vai expor a ex-amiga – como o jornalista prefere chamar a ex-companheira, (“éramos amigos de infância”) -, até porque argumenta que está a falar sobre o “amplo Caso IDEPI” e não sobre ela, como querem fazer crer, não descarta a possibilidade de passar a defender e protocolar pedidos para que todos sejam chamados a se explicar no rol de denúncias na polícia e na ação junto à justiça que o jornalista terá que responder, incluindo o sócio do engenheiro, visto se tratar de acusações sérias que estão procurando imputar contra o profissional do 180.

Estão a esquecer de que há a possibilidade disso se voltar contra quem está insistentemente a tentar falsear a verdade.

FALA, GUSTAVO COSTA
Em um dos artigos sobre o caso, Rômulo Rocha chegou a dizer que se alguma injustiça tiver acometendo o engenheiro, “em meio a esse processo, terá no jornalista um aliado e não um crítico”.

Do outro lado, ao contrário, já levantaram um caso delicado que envolve a mãe do jornalista, em que ela foi lesada por um condenado por tráfico internacional, mas que se passava por um ser com vida profissional comum, e estão a pintar o caso com outras cores, servindo como argumento para a ação na justiça.

O jornalista segue divulgando uma investigação de interesse público.


*Esta é uma das mais de 20 reportagens que foram alvo de censura prévia imposta pela juíza Lygia Carvalho Parentes Sampaio, do estado do Piauí, ao Portal 180. Você pode conferir a liminar no link abaixo onde ela defere o pedido de “tutela antecipada” (censura prévia) para que o portal retire do ar notícias já veiculadas sobre a empresa Caxé e seus donos e que “se abstenham de divulgar novas notícias que atinjam a honra dos autores sob pena de multa diária de R$1.000,00 seu eventual agravamento, além de incorrer nas penas de crime de desobediência à ordem judicial”.

Liminar que impõe censura prévia ao Portal 180 pode ser conferida aqui

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